“Só será possível promover a Amazônia pelo uso da biodiversidade por meio da CT&I”


 

Edson Barcelos possui graduação em Engenharia Agronômica pela Universidade Federal de Viçosa (1977), mestrado em Biologia (Ecologia) pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (1984) e doutorado em Ciências Agronômicas/Melhoramento Genético de Plantas pela Escola Nacional Superior de Agronomia de Montpellier, França (1998).

 

Qual será a linha de atuação de sua gestão à frente da Fapeam?

Edson Barcelos – O nosso objetivo será focar em projetos voltados ao aproveitamento, desenvolvimento e fortalecimento das potencialidades dos municípios do interior do Amazonas. A ideia é trabalhar com programas estrategicamente criados, a partir do uso de tecnologia, a fim de que possamos contribuir para alavancar a economia do Estado por meio da geração de emprego e renda.

Como o senhor avalia o papel da Fundação de Amparo à Pesquisa do
Estado do Amazonas no atual cenário?

EB – Só será possível promover o desenvolvimento  da Amazônia, pelo  uso sustentável da biodiversidade por meio da Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I). Nesse processo, a Fapeam tem um papel fundamental no fortalecimento do cenário científico no Amazonas, sendo capaz, inclusive, de  conduzir  o fluxo de capacidade  de pesquisa para os assuntos de interesse do Estado, por meio do direcionamento da geração de conhecimento, tecnologia, bens e serviços que podem ser apropriados e aplicados no interior  com o objetivo de melhorar a vida do caboclo e reduzir os desequilíbrios internos.

Na prática, de que maneira se desenvolverão as atividades da Fundação a partir desta orientação?

EB – Vamos olhar para o interior do Estado, selecionando tudo o que foi feito na área da pesquisa com o apoio da Fapeam, que seja possível transformar em bens, serviços, produtos ou processos e acelerar a transferência de tecnologia. A intenção é pegar tudo isso e oferecer aos nossos prefeitos, ribeirinhos e empreendedores locais para que se possa gerar empregos e renda. Dessa forma, acreditamos poder  influenciar, melhorar e mudar a vida da população. Com o lançamento de editais específicos pela Fapeam para atender a demanda do interior do Estado, os pesquisadores poderão direcionar a pesquisa e assim trazer resultados em curto prazo que beneficiem, diretamente, a população amazonense.

O senhor pode dar exemplos do que pode ser potencializado?

EB – Estamos perdendo um mercado fantástico. Por exemplo, a natureza nos deu uma grande riqueza de açaí no interior do Estado, mas hoje temos em torno de 15 indústrias de açaí no Amazonas. Esse número poderia ser maior. Por isso, uma alternativa é direcionar alguns editais da Fapeam para transformar o conhecimento das instituições em atividades, bens e processos para serem desenvolvidos no interior do Estado, que possam ser objetos inclusive de um possível financiamento pela Agência de Fomento do Estado do Amazonas (Afeam).

Quais as perspectivas em termos de lançamento de novos editais?

EB – Sobre lançamentos de novos editais como os que contribuem para formação de recursos humanos, que concedem bolsas de iniciação científica, mestrado e doutorado, Barcelos disse que a ideia é manter a mesma política de editais anteriores, que em breve novos editais para estas áreas serão lançados pela instituição.

Sobre o pagamento de bolsas, como a situação será tratada?

EB – A Fapeam e o Governo do Estado estão empenhados para que o pagamento seja feito dentro do prazo estipulado.

Departamento de Difusão do Conhecimento (Decon)

Foto: Aguilar Abecassis