Estudo, apoiado pelo Governo do Amazonas, rastreia genes resistentes ao tratamento do Câncer Colorretal


A busca para identificar mutações genéticas em genes supressores e de suscetibilidade envolvidos na resistência ao tratamento de pacientes com Câncer Colorretal (CCR) no Amazonas é o objetivo principal de uma pesquisa apoiada pelo Governo do Estado, por meio do Programa Amazônidas – Mulheres e Meninas na Ciência – Edital Nº 002/2021, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).

O Programa Amazônidas visa estimular o aumento do protagonismo feminino no cenário de Ciência, Tecnologia e Inovação – CT&I local, por meio da concessão de auxílio-pesquisa para despesas de capital, custeio e bolsas, a fim de fomentar projetos de pesquisa como uma ação afirmava.

O projeto envolve um grupo de pesquisadores multidisciplinares e visa subsidiar informações para desenvolver estratégias de prevenção e avaliação de qualidade de vida de pacientes, com suspeita ou diagnóstico de adenocarcinoma colorretal atendidos na Fundação Centro e Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon).

Reunião com a equipe multidisciplinar de analise do estudo – Fotos – Acervo da pesquisadora Valquiria Alves Martins

Além disso, o estudo amplia o entendimento da comunidade científica no que tange ao prognóstico da doença associado aos fatores que serão objeto de análise, dando luz a novos protocolos assistenciais de tratamento multimodal no Câncer Colorretal, como destaca a coordenadora da pesquisa e doutora em Imunologia Básica e Aplicada da FCecon, Valquiria do Carmo Alves Martins.

“Trata-se de um estudo prospectivo longitudinal, com abordagem quali-quantitativo que irá caracterizar o perfil clínico, epidemiológico, imunológico, aspectos celulares e moleculares e microbiota, bem como avalia a qualidade de vida dos pacientes com suspeita ou diagnóstico confirmado de Câncer Colorretal atendidos na Fundação”, explica a pesquisadora.

A pesquisa teve início em fevereiro deste ano e, até o momento foram incluídos 32 pacientes da FCecon, instituição de referência em oncologia do Amazonas e do Norte do país, com uma perspectiva de inclusão de 150.

Valquiria Martins espera como resultado tanto no impacto social, quanto científico, a consolidação do estudo, o desenvolvimento científico e tecnológico, bem como de recursos humanos com a implantação de nova linha de pesquisa na FCecon voltada para o Câncer Colorretal.

Metodologia

Entre os métodos usados na pesquisa está a coleta de amostras e extração de DNA em pacientes diagnosticados com a doença, durante o procedimento cirúrgico ou biópsia realizados na FCecon. Após o consentimento dos pacientes, amostras de biópsias e sangue periférico são coletadas e processadas imediatamente, posteriormente sendo armazenadas.

A pesquisa também serviu de base para a construção de um macroprojeto intitulado “Análise do espectro molecular e clínico do Câncer Colorretal: da epidemiologia e qualidade de vida à genética e análises ômicas”.

Números

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Câncer Colorretal em dias atuais é o segundo tipo de tumor que mais mata homens e mulheres, e acomete pacientes com mais de 45 anos ou em pessoas que tenham casos na família. O Brasil aparece com a triste marca de 40 mil novos casos por ano.

O Estado do Amazonas apresentou uma incidência de 10 casos para 100 mil habitantes, segundo dados do Inca de 2020. O instituto também estimou que o Amazonas terá 230 casos novos por ano, sendo 120 em homens e 110 em mulheres. A presença de tumores em estágio mais avançado, além da ausência de sintomas e de métodos de rastreio da doença contribui para atual situação, principalmente no estado, segundo o levantamento.

O The Global Câncer Observatory, Globocan Brazil 2020 afirma que diferente de outros países, o CCR no Brasil é igualmente distribuído em ambos os sexos, com mais de 52 mil novos casos e 25 mil mortes relatadas no último ano de 2020. Apesar de 80% dos casos de hospitalização serem relacionados às regiões Sul e Sudeste, a incidência e mortalidade dobraram nas regiões Norte e Nordeste nos últimos anos.

 

Texto: Valdete Araújo – Decon/Fapeam
Fotos: Acervo da pesquisadora Valquiria do Carmo Alves Martins

 

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