Estudo químico é realizado em Plantas Alimentícias Não Convencionais da região Amazônica


Vitória-régia e urtiga são as plantas analisadas na pesquisa com objetivo de endossar o uso dessas plantas como alimento funcional e fonte de nutrientes

 Já pensou em inserir a urtiga ou a vitória-régia na sua alimentação? Essas plantas fazem parte da pesquisa científica realizada pela doutora em Química de Produtos Naturais Patrícia Hidalgo, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). A pesquisadora está avaliando a composição química e atividade biológica dos frutos e outras hortaliças conhecidas como Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs).

As PANCs estão inseridas em um grupo de vegetais que podem ser utilizadas na alimentação, mas que não são usadas no dia a dia.

O projeto que teve início em 2017 faz parte do Programa de Apoio a Pesquisa (Universal Amazonas) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas( Fapeam). A pesquisa é desenvolvida em parceria com o doutor em Fitotecnia, Valdely Kinupp, criador do conceito PANCs e referência na área.

Patrícia explica que a vitória-régia é um ícone da região e o que muita gente não sabe que a planta também é comestível. Por isso, a ideia do estudo é alavancar o setor hortifrúti de espécies amazônicas com o fornecimento de informações científicas que agregarão valor econômico as plantas estudadas do ponto de vista nutricional e de segurança alimentar.

 “Muitas dessas plantas não têm qualquer informação sobre a composição centesimal, quanto a proteínas, lipídeos, carboidratos e outros nutrientes. O estudo pretende trazer maiores informações quanto à composição química e até verificar a segurança de seu consumo” disse.

Vitória Régia

Vitória-régia é um ícone da região amazônica, mas  muita gente não sabe  que a planta também é comestível.

Outra planta que faz parte do estudo é a urtiga, muito comum em campos, beiras de estradas e jardins. Segundo Patrícia, a proposta é ir além de estudar as plantas como alimento funcional é analisar também como fonte de nutracêuticos, que são nutrientes específicos presentes em um alimento.

“A partir do momento que você faz trabalho sobre a química dessas plantas você endossa tanto o uso delas como alimento, como uma fonte de substâncias que podem suprir necessidades do organismo ou prevenir alguma doença, e apontar como fonte de um novo produto para a indústria farmacêutica, na forma de suplementos dietéticos, em cápsulas ou medicamentos manipulados, como fibras, proteínas, aminoácidos, vitaminas antioxidantes, ou minerais ”, conta Patrícia.

urtiga

Outra planta que faz parte do estudo é a urtiga, muito comum em campos, beiras de estradas e jardins

Conforme a pesquisadora em nossa região há uma diversidade de plantas, frutos, castanhas, tubérculos que são comestíveis. Mas, ela observa que a maioria dessas plantas não tem o uso comum ou qualquer estudo científico sobre elas.

“Pensei em estudar um pouco mais sobre a química dessas plantas para valorizar o que temos em nossa região, já que muito do que comemos vem de fora. Nós temos uma grande riqueza em termos de frutas, hortaliças, entre outros, sendo negligenciadas. Aos poucos, vamos aumentar a aceitação das pessoas por essas espécies, como foi feito com o nosso açaí, castanha do Pará, cupuaçu, dentre outros, que se tornaram conhecidos pelo mundo afora” conta.

Pesquisadora Patrícia Hidalgo

Estudo é coordenado pela doutora em Química de Produtos Naturais Patrícia Hidalgo, da UEA

Iniciação Científica

O estudo conta também com a participação de estudantes de Iniciação Científica (IC) que participam do estudo científico sob a orientação da coordenadora do estudo, Patrícia Hidalgo.

A graduanda em Química pela UEA Sara Loiola relata que alguns resultados já apontam que a vitória-régia possui potencial antioxidante.

“O nosso objetivo é justamente verificar se ela é uma planta alimentícia não convencional com um valor de nutrientes específico, que pode ser usado como um alimento funcional”, disse.

Já Luciana Castro, que também é graduanda em Química pela UEA, conta que a urtiga já é servida em alguns restaurantes de Manaus. Mas, que ainda se tem um estudo químico ou biológico sobre a planta.

“A gente precisa saber o que tem para avisar a comunidade como um todo, se pode enriquecer a dieta de uma maneira positiva ou se pode ser usada como fitoterápico” disse.

PANCs

O conceito de Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs) foi criado por Valdely Kinupp, biólogo e professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas, Campus Manaus-Zona Leste (IFAM-CMZL) e autor do livro Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs) no Brasil.

Valdely kinupp

Conceito de Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs) foi criado por Valdely Kinupp, biólogo e professor do IFAM-CMZL

O professor afirma que é muito comum as pessoas associarem as PANCs àquelas plantas que nascem sozinhas, de maneira espontânea. Entretanto, nem todas as PANCs seguem essa característica, e algumas espécies são cultivadas.

“É por isso que é preciso estar atento e utilizar apenas plantas que apresentam seus componentes conhecidos a fim de evitar qualquer tipo de intoxicação. Assim como todos vegetais que conhecemos, cada PANCs apresenta uma forma diferente de preparo. Muitas plantas podem ser consumidas in natura, utilizadas na forma de suco ou em saladas. Outras podem ser ingeridas cozidas ou refogadas, e existem ainda aquelas que, obrigatoriamente, devem passar por cozimento”, destaca.

Segundo Kinupp, a ideia é plantar aquilo que pode ser produzido na região, neste caso é de suma importância a divulgação dessas plantas.

“Se você trabalhar com as PANCs de forma agroecológica, vai continuar preservando a natureza e mantendo a floresta em pé”, conta.

vitória régia laboratorio

Texto– Departamento de Difusão do Conhecimento (Decon)/ Fapeam

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