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Manaus recebe pesquisadores de 43 países no 6º Congresso Mundial de Herpetologia

O Congresso Mundial de Herpetologia já teve como sede a Inglaterra, Austrália, Sirilanka e África do Sul. Mas em 2003, o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Richard C. Vogt, resolveu trazer para Manaus, Amazonas, o evento que congrega os maiores especialistas no estudo dos sapos e répteis em geral.


Gerido por um Comitê Organizador Internacional, o Congresso contou com um projeto ousado de tornar experiências de 43 países representados em conferências e debates simultâneos, que estão sendo realizados no Tropical Hotel Manaus desde domingo à noite, prosseguindo até o dia 22.

“Não teríamos conseguido sem o decisivo apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Amazonas, que investiu R$ 30 mil reais através do Parev”, asseverou Vogt, referindo-se ao Programa de Apoio à Realização de Eventos Científicos e Tecnológicos no Estado do Amazonas, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).

Hoje, segundo a Sociedade Brasileira de Herpetologia, o Brasil ocupa a primeira colocação na relação de países com maior riqueza de espécies de anfíbios, seguido pela Colômbia e pelo Equador, todos, países da América do Sul.

A maior parte dos participantes é de estudantes; os brasileiros constituem 25% do público e há uma forte participação dos Estados Unidos. Funcionários de alguns órgãos nacionais ligados à conservação e preservação, como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), tiveram as participações deferidas sem custo. A Superintendência do Ibama no Amazonas, por exemplo, obteve apoio para dez inscritos.

Quem passeia pelos salões de conferência observa, ainda, a presença de grupos vindos da China, Índia, Indonésia, Paquistão, Estônia, França, Alemanha, Inglaterra, África do Sul, Canadá, México, Argentina, Colômbia, Venezuela... “Infelizmente”, pontuou o cientista, “alguns organismos nacionais de pesquisa consideraram o congresso elitizado”, ao criticar a falta de apoio financeiro federal.

“Nesse momento, nós não temos condições de afirmar quantas pessoas estão aqui efetivamente, pois ainda continuam chegando”, afirmou Vogt, assegurando, contudo, que Manaus será recordista em participações, o que significa ultrapassar o número de 600 inscritos.

Para o coordenador, o proveito do conteúdo explanado está sendo alto, principalmente para os estudantes. “Eles não teriam a oportunidade de ter contato com os estudos dos 15 maiores pesquisadores, do mundo, nessa área, e aqui estão tendo, de uma só vez”, comentou.

O workshop de abertura do congresso deu voz a mais de 15 pesquisadores ligados ao Amphibian Specialist Group (ASG), criado em 2006, para avaliar e documentar o alargamento das espécies de anfíbios ameaçadas de extinção em todo o mundo.

Entre as finalidades do evento está a de conhecer a maneira a qual os planos nacionais e regionais de conservação vêm sendo implementados. “Hoje nosso maior esforço é no sentido de ao menos refrear o atual declínio das populações de anfíbios para virmos a prevenir a extinção de espécies”, comenta Vogt.

O membro do Centro de Pesquisa em Répteis e Anfíbios (RAN), Isaías José Reis, com sede em Goiânia (GO), também espera encontrar no Congresso um espaço para a discussão da Instrução Normativa 169/2008. “Seria de grande utilidade, uma vez que essa instrução tem gerado polêmica em torno do manejo da fauna em cativeiro no Brasil”.

Paralelo às plenárias, que ocorrem nos salões Amazonas, Rio Negro e Solimões, o evento conta com banca para lançamento de livros científicos da área, revistas e resumos, um stand da Fapeam e uma exposição de artesanato local.


Elizabeth Cavalcante – Agência Fapeam

Publicado em : 19/08/2008