Programas estimulam a formação em áreas estratégicas

14/09/2012– A falta de profissionais qualificados na área de engenharia e tecnologia da informação vem afetando de forma negativa a economia brasileira. Dados do Conselho Nacional Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) apontam que enquanto o Brasil forma cerca de 40 mil engenheiros por ano, a Rússia, a Índia e a China formam 190 mil, 220 mil e 650 mil, respectivamente

Na área de Tecnologia da Informação (TI) a situação não é diferente. Uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom) revelou que em 2014 o Brasil vai precisar de cerca de 78 mil novos profissionais de TI, mas apenas 33 mil  pessoas terão formação na área.

Diante deste cenário, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM) em parceria Secretaria do Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti-AM) deram inicio, no mês de julho, ao Programa Estratégico de Indução à Formação de Recursos Humanos em Engenharias no Amazonas (Pró-Engenharias) e ao Programa Estratégico de Indução à Formação de Recursos Humanos em Tecnologia da Informação (RH-TI).

/As iniciativas consistem em estimular estudantes da rede pública a partir do segundo ano do ensino médio a seguirem carreiras acadêmicas e profissionais, nas áreas de Engenharia e de Tecnologia da Informação.

Para a diretora-presidenta da FAPEAM, Maria Olívia Simão, o investimento realizado irá transformar a realidade do Estado. “A carência de profissionais de engenharia no País e no Amazonas será suprimida a partir do acompanhamento da formação desses jovens. A ideia é que eles mudem o cenário da industrialização, permitindo a transformação das nossas riquezas em produtos industrializados para exportação e para a melhoria da economia”, explicou.

De acordo com dados do Conselho Regional de Engenheiros e Agronomia do Estado do Amazonas (Crea-AM). O estado possui mais de 16 mil engenheiros cadastrados, sendo que o maior número é na área de engenharia civil, seguido por engenheiro eletricista, e engenheiro mecânico.

Para o engenheiro civil e presidente Crea-AM Telamon, Barbosa Neto, a área tecnológica está em expansão no Brasil e profissionais legalmente habilitados e qualificados, possuem  vaga garantida. “A iniciativa de levar este tipo de conhecimento as escolas públicas com certeza é mais um mecanismo capaz de aumentar o interesse dos alunos por algum dos diversos ramos de atuação do Sistema Confea/Crea e no mercado de trabalho”, frisou, destacando que toda e qualquer ação que estimule o ingresso na área tecnológica é importante e bem-vinda.

 

Investimentos

/As atividades contam com investimentos da ordem de R$ 1,6 milhão (R$ 800 mil para cada programa). No total, 80 estudantes (40 para cada área) estão sendo  beneficiados com uma bolsa mensal de Iniciação Científica Júnior Especial, no valor de R$ 190, por um período de dois anos do Ensino Médio. Caso o estudante seja aprovado em cursos ofertados por universidade pública ele receberá ainda, durante o primeiro ano de graduação, por meio do programa ao qual  estiver vinculado, uma bolsa de R$ 360,00. 

Ainda conforme Maria Olívia Simão, os programas são considerados pilotos, podem receber ajustes para que nos próximos editais possam ser ampliados. “A expansão dos programas deve ser feita com segurança, demonstrando a realização de bons investimentos que o Governo do Amazonas vem apresentando nos últimos anos”, destacou.

Oportunidade

Para o coordenador do RH-TI, professor Ruiter Caldas, os programas representam uma vitória que irá conduzir os 80 alunos até a Universidade, incentivando também o ingresso na pós-graduação. Para ele, a intenção é prepará-los, formando profissionais de sucesso, objetivando, inicialmente, transpor barreiras. “Ao ingressar na Universidade, o aluno sente dificuldades em lidar com matérias específicas na área de Exatas, como matemática ou informática, alegando a falta de base ou até mesmo falta de cultura em caminhar sem auxílio do professor, o que normalmente o faz se desmotivar, abandonando seu ideal profissional. Nós não vamos deixar isso acontecer”, destacou.

O estudante do ensino médio e bolsista de Iniciação Científica Júnior, Davi Bennier, 16, que faz parte do Programa Pró-Engenharias, declarou que a iniciativa é um grande avanço no ensino público, uma vez que, incentiva os jovens a seguirem uma carreira. “Eu gosto muito de matemática e física, isso me motivou. Eu pretendo seguir a área de engenharia eletrônica ou química, ainda estou em dúvida, mas são duas áreas extremamente importantes para o desenvolvimento da formação intelectual do nosso Estado”, informou o IC Jr.

Atividade

Durante o segundo semestre de 2012 e o ano de 2013, cada um dos alunos selecionados se dedicará às atividades, para isso a Secretaria de Estado de Educação (Seduc), por meio do IEA, montou uma estrutura de salas de aula e laboratórios para receber os estudantes, três vezes por semana. Eles vão realizar  atividades práticas exclusivas correspondentes às disciplinas de Língua Portuguesa, Língua Inglesa, Matemática, Física, Química e Filosofia, trabalhadas de forma interdisciplinar por professores da rede pública.

As atividades contam com  o auxílio  de 12 professores da rede pública de ensino, além de dois doutores, um da área de TI e outro de Engenharia, além de mais oito tutores (quatro para cada área), alunos de graduação oriundos de universidades públicas do Amazonas.

Redação: Esterffany Martins

Edição: Ulysses Varela – Agência FAPEAM


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