Diálogo entre música e ciência na Rio+20
18/06/2012 – Rio de Janeiro – RJ – A presença da ciência nas composições de artistas da Música Popular Brasileira (MPB) foi analisada na palestra ‘Música e Ciência: ambas filhas de um ser fugaz’. A palestra faz parte da programação da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável – Rio+20, proferida pelo diretor Ildeu de Castro Moreira, na sexta–feira, 15 de junho, na Arena de Palestras, Pier Mauá, no Rio de Janeiro.
O professor do Instituto de Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Ildeu Moreira afirmou que tanto a ciência quanto a arte são filhas do mesmo Deus chamado Fugaz, citando o cantor Gilberto Gil como autor do pensamento. Segundo ele, os dois conhecimentos são produtos da curiosidade, da imaginação, da superação com o mundo e da nossa interação com ele, facilitando a penetração da ciência no cotidiano das pessoas.
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Para Ildeu, a ciência e a arte possibilitam manter uma relação com nós mesmos e com os outros, pois são resultado do sentimento e da reflexão humana. Ele alia essa discussão ao momento atual, ou seja, com a realização da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável – Rio+20, que traz à tona a reflexão sobre as questões de sustentabilidade e quando é necessário o conhecimento racional (ciência e tecnologia) para desenvolver pesquisa relacionada a isso. No entanto, há necessidade do sentimento (sensibilidade), possibilitando formas de olhar o mundo e da solidariedade.
“O caminho para a humanidade é a promoção da cultura sustentável, em que pressupõe uma arte e uma ciência voltadas para essa questão. Os dois conhecimentos reprodutores da cultura fazem parte e se constituem como elementos essenciais à cultura humana”, disse o pesquisador.
Segundo o pesquisador, o foco principal foi dar destaque à Musica Popular Brasileira utilizando exemplos que abordam temas relacionadas a ciência e ao meio ambiente. Para ele, esse indicativo pode ser explorado na escola e é motivo para grandes discussões no meio social, pois, justifica que, o artista tem a sensibilidade de captar as grandes questões que atingem a humanidade.
Exemplos
Castro dá exemplo de artistas brasileiros que marcaram época e que sensibilizaram a sociedade brasileira abordando temáticas relacionadas à sobrevivência humana, correntes daquele momento histórico. Tom Jobim, Gilberto Gil, Caetano Veloso, 14 BIS, Luis Gonzaga, dentre outros, foram citados pelo pesquisador, acreditando que essa é uma maneira complementar das ações voltadas para essa questão.
Ildeu Moreira salientou que a Arte e Ciência são imprescindíveis para a preservação do planeta e para a sobrevivência humana que caminhando juntas para o desenvolvimento, deve conciliar a diminuição da desigualdade social, a preservação ambiental e o desenvolvimento econômico. Para ele, isso ainda não é suficiente, pois, necessariamente, deve haver ética e valor.
O cientista Albert Einstein ao pronunciar a frase “A ciência é cega em relação aos valores”, demonstrou, claramente, que a arte vem na contramão, a fim de ajudar a humanidade a olhar com sentimento e sensibilidade a realidade, direcionando-a à criação do novo humanismo, incorporando não somente o ser humano, mas também o meio ambiente, para que no futuro se tenha um mundo melhor para todos”, finalizou.
Sebastião Alves – Agência FAPEAM