Estudo pretende analisar dinâmica de transmissão da doença de Chagas
26/01/2012 – Pesquisa realizada pela Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-DHVD) sobre a epidemiologia da doença de Chagas em Manaus (causada pelo Trypanosoma cruzi), pretende analisar a dinâmica de transmissão da infecção por meio das relações entre os vetores e reservatórios silvestres, índices de infecção e riscos de transmissão aos animais domésticos e ao homem. Os trabalhos iniciaram em 2010 e a previsão é de que sejam concluídos em 2012, quando serão realizadas as análises sobre as possíveis alterações cardíacas e gástricas causadas pela doença em possíveis pacientes contaminados.
Desenvolvida através do Programa de Pesquisa para o Sistema Único de Saúde (PPSUS), o projeto conta com o apoio do Governo do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM), e parceiros como o Ministério da Saúde (MS) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
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A pesquisa é coordenada pela doutora em Entomologia, Maria das Graças Vale Barbosa (FMT-DHVD) e uma equipe que envolve professores e alunos (iniciação científica, mestrado e doutorado), do Programa de Pós-graduação em Medicina Tropical (UEA/FMT-HDV) composta por médicos infectologistas, cardiologistas e gastroenterologista, farmacêuticos bioquímicos, biólogos e veterinário e esses dados ainda são preliminares.
Na fase atual do projeto, foram incluídas informações das pessoas que aceitaram participar da pesquisa e, entre outras, estão as características gerais da população quanto ao gênero, idade, procedência, ocupação (agricultor, doméstica e estudante), local de moradia, o grau de conhecimento da população sobre as formas de contágio. Até o levantamento foram incluídos no estudo 1.638 participantes.
“O Amazonas tem riscos potenciais de endemicididade da doença de Chagas, principalmente, considerando-se três fatores. O primeiro é ação antrópica, como as condições geradas pelo desmatamento, por exemplo, animais que deixam seu habitat aumentam o risco de domiciliação dos triatomíneos – insetos hematófagos, que se alimentam de sangue. O segundo é a intensa migração de pessoas de áreas endêmicas, carregando parasitos e vetores já adaptados. Terceiro, a luz das moradias próxima das florestas pode atrair os vetores, que acidentalmente traduzem o T. cruzi, além de casos agudos por transmissão oral”, destacou.
Quanto à transmissão oral, Barbosa disse que no ciclo silvestre é usual entre os mamíferos ingerirem triatomíneos. Em relação ao homem, a partir da última década vários casos têm sido descritos na Amazônia brasileira. A pesquisadora lembrou que grande parte dos casos estava
atribuída à ingestão de suco de frutos contaminados com a forma infectante do T. cruzi, provavelmente oriunda de triatomíneos infectados.
Conforme a pesquisadora, 34% dos integrantes da população estudada até o momento é composta de agricultores (568), e que esse resultado era esperado uma vez que parte do trabalho está sendo realizado em área rural. “A importância maior é para registro de pessoas reativas nos testes sorológicos, pois serão consideradas chagásicas. Nesse caso, muito provavelmente não tinham conhecimento dessa informação, e não tinham ideia de quando adquiriram a doença. Quanto ao tipo de moradia 89% vivem em casas de madeira. Entretanto, ainda não há dado sobre a correlação ou não das casas de madeira com a transmissão da doença na região”, informou.
Segundo Barbosa, na Amazônia o risco maior de transmissão do T. cruzi ao homem ocorre, porque ao exercer atividades de extrativismo, caça ou mesmo lazer, o homem se insere e se expõe ao ciclo do T. cruzi, quando derruba árvores, afugenta os animais (fonte de alimentos dos vetores). Na ausência de alimento para os vetores o homem pode passar a ser essa fonte.
Ciclo de Vida
Primariamente o ciclo de vida do protozoário ocorre em animais invertebrados (insetos) e vertebrados (mamíferos). Na Amazônia, dá-se no ambiente silvestre. A relação é estabelecida quando o vetor busca alimento. O triatomíneo infectado, ao sugar o sangue, deposita suas fezes contendo formas tripomastigotas metacíclicas normalmente perto do local da picada. Essas formas penetram por uma solução de continuidade na pele ou através das mucosas.
Norte concentra maior número de casos
Conforme dados do Ministério da Saúde, de 2005 a 2009, foram registrados 454 casos da doença de Chagas no Brasil. A Região Norte concentrou o maior número – 389 casos (85,7%). Logo após, ficaram as regiões Nordeste: 37 (8,1%); Sul 24 (5,3%); Sudeste 3 (0,7%); e Centro-Oeste 1 (0,2%).
Sobre o PPSUS
É um programa que consiste em apoiar atividades de pesquisa que visem à promoção do desenvolvimento científico, tecnológico ou de inovação da área de saúde, em temas prioritários para o Sistema Único de Saúde (SUS), do Estado do Amazonas.
Luís Mansuêto – Agência FAPEAM