Pesquisa destaca avanços no Polo de Duas Rodas em Manaus

03/11/2011 – Compreender a estratégia de montagem da rede de produção, a lógica da ampliação da produção local e a redução do custo com as operações logísticas de fornecimento internacional, nacional e local foram objeto da pesquisa ‘A Formação de Redes de Produção na Indústria de Veículos sobre Duas Rodas no Norte Brasileiro’, desenvolvida pelo pesquisador Eudes Lopes Melo.  

Mestre em Sociologia pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia (PPGS), da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Melo acredita que as indústrias instaladas no PIM têm por estratégia ocupar os mercados consumidores existentes na região sul-americana, os quais são reconhecidos pelos executivos das produtoras de motocicletas de Manaus.

 

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Segundo ele, o estudo objetivou analisar a rede de produção de quarenta empresas instaladas no Polo Industrial de Manaus (PIM) para  a produção de componentes e peças para fornecimento às indústrias de Manaus. O estudo foi realizado no âmbito do Programa de Apoio à Formação de Recursos Humanos Pós-Graduados do Amazonas (RH Interinstitucional) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM).

 

Estratégias

 

src=https://www.fapeam.am.gov.br/arquivos/imagens/imgeditor/DI0.jpgO estudo identificou que as empresas instaladas no PIM mantêm a interação entre fornecedor e cliente, permitindo maior qualidade de componentes, peças e preços. Segundo o pesquisador, essa interação ocorre nos níveis da troca de conhecimentos e nas operações administrativas no momento de negociação com fornecedores.

 

“Neste caso, as relações pessoais podem influenciar bastante nessa negociação. Nesse sentido, a qualidade dos componentes e peças, seus preços, dentre outros critérios podem ser determinantes, ainda que as relações interpessoais tenham um peso no processo de negociação”, frisou Melo.

 

Desenvolvimento acelerado

 

Entre os resultados, Melo aponta o crescimento acelerado da indústria de motocicletas em forma de cadeia produtiva, onde foi possível verificar o emprego de novos métodos de produção e de trabalho, como também, as inovações tecnológicas, tendo como destaque o aparato logístico adotado, especialmente na fábrica da Honda.

 

A inter-relação empresarial, envolvendo a troca de conhecimento tecnológico, principalmente no que se refere aos novos equipamentos instalados, é outro item importante detectado pela pesquisa. “Essa interação tem possibilitado certo beneficiamento mútuo do ponto de vista das fábricas envolvidas e, consequentemente, sua irradiação para uma interação social entre técnicos, especialistas, engenheiros, dentre outros”, destacou Melo.

 

O estudo detectou a existência de uma rede cuja empresa líder é a Moto Honda da Amazônia, caracterizada pela interação existente com fornecedoras e pelo aspecto técnico e tecnológico adotado. 

 

Intervenção das multinacionais

 

O pesquisador comenta que o Polo de Duas Rodas opera segundo as regras de intervenção das grandes empresas transnacionais, medido pelo considerável índice de produtividade e pelo faturamento elevado dessas indústrias, cujos métodos adotados vão além do fordismo/toyotismo, sobretudo, em razão das novas estratégias para a redução dos custos de produção.

 

Ele acredita que o estudo é mais uma contribuição e um trabalho que pode se somar a outros que estão desenvolvendo e explorando a mesma temática. “A perspectiva é que possamos ter no futuro, com o amadurecimento de todas essas pesquisas, uma compreensão mais precisa e mais acabada do fenômeno industrial, no limite, da intervenção capitalista na nossa região”, completa o pesquisador.

 

Apoio da FAPEAM

 

Eudes diz que fica mais difícil o pesquisador realizar seu trabalho sem nenhum tipo de apoio institucional. Nesse sentido, ele considera que o aporte financeiro oferecido pela FAPEAM aos estudantes, principalmente de pós-graduação, tem sido importante aliado à execução das pesquisas no Estado.

 

“O fortalecimento e a ampliação deste apoio, deve ser uma perspectiva para o aumento da pesquisa no Amazonas”, finaliza o pesquisador.  

Sebastião Alves – Agência FAPEAM

 

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