Pesquisadores propõem criação de um centro de pesquisas hídricas na Amazônia

28/10/2011 – A criação de um centro de pesquisas hídricas na Amazônia para começar a olhar esses recursos como fator de competitividade foi sugerida ontem, 27 de outubro, na Conferência WITS (Água, Inovação, Tecnologia & Sustentabilidade) 2011: Rio + 20, Água & Sustentabilidade, realizada no segundo dia da Feira Internacional da Amazônia (Fiam), 2011, que acontece até amanhã, 29 de outubro, no Studio 5 Centro de Convenções.

A proposta foi apresentada na abertura da Conferência, pelo palestrante Raul Gouvêa, professor da Universidade do México e um dos coordenadores da mesa. O Brasil é o país mais rico do mundo em recursos hídricos, com 12% de água do planeta e 30% das reservas mundiais, mas é também o campeão de poluição de recursos hídricos, apontou lembrando que aqui se discute muito a preservação da floresta, mas é hora de discutir também a viabilidade dos recursos hídricos.

Gouvêa lembrou que o País já é um exportador de água virtual e está na mira de interesse de outros países que sofrem com problemas hídricos como México, China, Índia e África. Em algum momento o Brasil vai virar um grande polo que vai atrair países como esses e é tempo de começar a discutir a criação desse centro, afirmou.

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Para Gouvêa, a combinação de esforços das áreas acadêmica, empresarial, governamental e a contribuição de Organizações Não Governamentais (ONGs) podem representar um passo decisivo para ver os recursos hídricos de maneira mais consistente. Já existem esforços nesse sentido, mas não estão sendo coordenados, assinalou.

A implantação de biossensores nos rios da região para detectar os tipos de poluentes e o nível de poluição também foi sugerida pelo palestrante, que acrescentou à proposta a formação de um acordo transnacional para dar sustentabilidade aos projetos voltados para a área de maneira mais ordenada. A medida, segundo ele, é importante para dar uma visão dos recursos hídricos em tempo real e determinar uma posição quanto a diretrizes a serem traçadas sobre a criação do centro de pesquisas.

Gouvêa também assinalou que essas medidas não podem tardar, porque países que têm problemas com recursos hídricos estão com os interesses voltados para a região em razão do grande potencial de água da Amazônia. Tecnologias são trazidas para cá para limpar a água e navios estão roubando nossa água, lembrou afirmando, ainda, que em algum momento a região poderá desenvolver polos de exportação de recursos hídricos. Em 2050 vamos ter quase 2 bilhões de pessoas sem acesso à água potável e isso será um problema, porque vamos ter que levar tecnologia de ponta para pessoas em comunidades sem água limpa, pessoas que adoecem pela ingestão de água contaminada, garantiu.

Em prol do meio ambiente

Para provar que as empresas que atuam na região estão voltadas à preservação do meio ambiente, especificamente na questão dos recursos hídricos, o representante da Fundação Desembargador Paulo Feitosa (FPF), Roberto Garcia, convidou gerentes de sustentabilidade de três empresas instaladas em Manaus para falar sobre o tema.

Vanderlei Niehues, da Whirlpool em Joinvile, Santa Catarina, mostrou que a empresa, que tem três unidades fabris, sendo uma em Manaus, tem se destacado no mercado como modelo de sustentabilidade e em dez anos, graças a um trabalho que envolve o uso sustentável da água, com reaproveitamento e utilização de novas tecnologias, conseguiu reduzir o desperdício de água em mais de 58% em todas as unidades e na fabricação de novos e sofisticados equipamentos. Para dar um exemplo, nos últimos dez anos, o ciclo de lavagem de uma lavadora teve o consumo de água reduzido em aproximadamente 60%, afirmou.

vspace=10A representante da Recofarma (grupo Coca-Cola), Simone Macário, explicou os projetos da empresa para expandir a Plataforma Verde e mostrou que a redução do consumo de água nas unidades da fábrica foi de mais de 40% em apenas sete anos. Tudo, segundo ela, graças a medidas como a reciclagem da água, mudança no sistema de tratamento da refrigeração e a criação do bônus variável (uma premiação para os associados pela redução de água dentro de um nível pré-estabelecido), entre outras medidas.

Para alcançar a liderança em sustentabilidade, ela anunciou que a Coca-Cola vai trabalhar com embalagens, produtos e fábricas verdes, de olho na Copa de 2014 e no futuro do planeta.

Já o representante da Yamaha, Aldemir Gorayeb, falou sobre sistemas de controle, análise e soluções específicas adotadas pela empresa para reduzir o consumo de água em suas unidades, como substituição de válvulas, utilização da água das chuvas e reutilização de água para irrigação, entre outros fatores.

 

Fonte: Site da Fiam, por Vera Lima

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