Identificação de insetos ainda é um desafio para a Amazônia

14/10/2011 Pequenos, mas de grande importância para o equilíbrio do meio ambiente e, em alguns casos, para a preservação da saúde humana, os insetos, principalmente na Amazônia, merecem atenção especial. Apesar disso, pesquisas apontam que a fixação de pesquisadores na região ainda representa um dos principais desafios para consolidar os estudos nessa área e assim, contribuir para a identificação da maior parte dessa fauna de insetos na região.

Essa percepção foi abordada pelo pesquisador Arlindo Serpa Filho da Fundação Oswaldo Cruz do Rio de Janeiro (Fiocruz/RJ), durante o ‘7º Encontro Brasileiro sobre Chironomidae’, realizado simultaneamente ao ‘4º Encontro Latino – Americano sobre Simuliidae’ e o ‘1º Encontro Latino-Americano sobre Ceraptopogonidae’, realizado no período de 9 a 12 outubro, nas dependências do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

Os eventos foram realizados com o apoio do Programa de Apoio à Realização de Eventos Científicos e Tecnológicos (Parev) financiado pelo Governo do Amazonas via Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM). Além disso, esses eventos foram realizados no âmbito do Programa Núcleos de Excelência (Pronex), também apoiado pela FAPEAM em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Especialistas

Serpa Filho salientou que a falta de interesse de taxonomistas (especialistas em identificação das espécies) em fixar-se na Amazônia leva à diminuição da identificação das espécies que, em alguns casos, podem estar ameaçadas de extinção.

vspace=10O levantamento feito por Serpa Filho identificou apenas cinco instituições no Brasil como centro de estudos taxonômicos. E, desde o início dos estudos sobre insetos até os dias atuais o número de pesquisas relacionadas ao tema não chega a 1%.

O pesquisador frisou que a identificação da espécie de Chironomidae (mosquitos que habitam ambientes aquáticos como as margens de lagos e rios e não têm nome popular), chega hoje a 308 espécies registradas.

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“É curioso, pois desde o início dos trabalhos de identificação dessas espécies no Brasil apenas cinco subfamílias de Chironomidae foram identificadas e esses insetos são importantes para o meio ambiente, eles têm um diferencial, não são sugadores, por isso não fazem mal ao homem e no mundo inteiro são reconhecidas cerca de 20 mil espécies”.

Ele afirma ainda que apesar de a produção científica na Amazônia ser considerada elevada o número de pesquisadores que seguem com os estudos de identificação das espécies é reduzido. O pesquisador acredita que faltam cursos, infraestrutura, incentivo e, principalmente, pessoas interessadas no tema.

“Por isso também estamos aqui, queremos incentivar esses alunos que estão começando agora com os seus estudos a continuarem suas pesquisas, prosseguindo mesmo depois de obter um título, e assim permanecer na região, com as pesquisas de identificação”, salientou Filho.

Sobre o Pronex

vspace=10O Programa de Apoio a Núcleos de Excelência em Ciência e Tecnologia é desenvolvido em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), com o objetivo de apoiar, com recursos financeiros,  grupos de alta competência que tenham liderança e papel nucleador no setor de atuação em Ciência e Tecnologia no Amazonas.

O núcleo é constituído por um grupo de pesquisadores de comprovada competência, de reputação técnico-científica reconhecida, nacional e internacionalmente, organizado para desenvolver projetos de pesquisa científica, tecnológica e de inovação, que possam contribuir significativamente para o avanço e difusão do conhecimento.

 

Foto 1 e 2 pesquisas com insetos (Ricardo Oliveira)

Por Rosilene Corrêa – Agência FAPEAM

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