CGEE mapeia oportunidades e também a cadeia produtiva

O Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) deverá entregar ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) até o final de dezembro uma proposta para a formação de uma rede de inovação do setor de dermocosméticos produzidos a partir de insumos obtidos da biodiversidade da Amazônia. A região é considerada um dos mais ricos mananciais biológicos do planeta, respondendo por 13% da biota mundial. Só das plantas encontradas na Amazônia brasileira já se identificaram 5 mil diferentes princípios ativos.

Ao se propor uma rede de inovação, o que está em pauta é o esforço para diminuir a distância entre a pesquisa acadêmica e o setor produtivo, para que ele possa se apropriar do conhecimento disponível na academia e centros de pesquisa e o transformar em produtos, processos, insumos e serviços inovadores, de forma sustentável. No caso específico de uma rede dessa natureza na Amazônia, o pressuposto é que, com uma maior articulação de suas instituições de pesquisa e desenvolvimento, de empresas e de laboratórios pode-se efetivamente contribuir para o desenvolvimento regional e para uso sustentável da biodiversidade. A proposta do CGEE, portanto, deverá abranger todas as fases da cadeia de produção dos dermocosméticos, desde a bioprospecção, o seu processamento inovador, novas aplicações do material colhido até produtos finais de maior valor agregado.

Oportunidades de mercado

O trabalho do CGEE mapeará as oportunidades de mercado interno e externo dos produtos já existentes no setor, assim como os de possíveis novos produtos. A intenção é construir um diagnóstico contemplando dados sobre a produção da matéria-prima e as questões de sazonalidade envolvidas, o conhecimento e as tecnologias disponíveis, a capacidade científica e tecnológica local, a infra-estrutura necessária e desejada, localização dos centros produtivos, os gargalos da produção e soluções possíveis, dentre outros.

Outro aspecto importante do trabalho a ser entregue, em se tratando de uma rede de inovação, é o esforço que será feito para identificar as empresas que já atuam no segmento na região, suas relações com centros de pesquisa e as possibilidades de apoio governamental – tanto no nível estadual quanto no federal – para o desenvolvimento do setor. Uma segunda parte do trabalho diz respeito à proposta para a estrutura e a configuração da rede de inovação propriamente dita, nomeando seus principais atores, as relações entre eles e trará, ainda, sugestões para o seu modelo de governança, a ser liderado por, pelo menos, um dos agentes locais. Ele teria o papel decisivo de aglutinar os demais atores da rede, motivando a sua participação.

Sustentabilidade e inovação

“É importante termos uma perspectiva de desenvolvimento regional e da sustentabilidade do segmento”, comenta Carmem Bueno, assessora do CGEE e responsável pela liderança do projeto. “Com isso, queremos contribuir para criar um ambiente que valorize o manejo sustentável de espécies exploradas comercialmente”, acrescenta. Carmem conta que esse novo trabalho deriva de outro, conduzido pelo CGEE em 2007, para a construção de uma Rede de Inovação da Biodiversidade da Amazônia. Ele detalhou, inicialmente, três mercados: piscicultura, fitos – tanto terápicos como cosméticos — e fruticultura. Entre seus resultados pode ser citada a criação de algumas sub-redes temáticas, como a de fitoterápicos, hoje apoiada fortemente pela Fiocruz. “Ela é mais centrada na cadeia do conhecimento, em que universidades e centros de pesquisa têm um papel preponderante. No caso da nova rede, de dermocosméticos, a proposta é que seja mais focada na inovação, com forte participação empresarial, além da acadêmica”, explica Carmem.

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