Abelhas ‘biônicas’ vão ajudar a monitorar mudanças climáticas na Amazônia
Desde a semana passada, pesquisadores do Instituto Tecnológico Vale (ITV) e da CSIRO, agência federal de pesquisas científicas da Austrália, estão instalando microssensores em 400 abelhas de um apiário no município de Santa Bárbara do Pará, a uma hora de distância de Belém, na primeira fase da experiência, que também visa descobrir as causas do chamado Distúrbio de Colapso de Colônias (CCD, na sigla em inglês), que só nos Estados Unidos já provocou a morte de 35% desses insetos criados em cativeiro.
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“Não sabemos como as abelhas vão se comportar diante das projeções de aumento da temperatura e mudanças no clima devido ao aquecimento global. Assim, entender como elas vão se adaptar a estas mudanças é importante para podermos estimar o que pode acontecer no futuro”, contou o físico Paulo de Souza, pesquisador-visitante do ITV e da CSIRO e responsável pela experiência.
Souza explica que os microssensores usados no experimento são capazes de gerar a própria energia e captar e armazenar dados não só do comportamento das abelhas como da temperatura, umidade e nível de insolação do ambiente. Tudo isso espremido em um pequeno quadrado com 2,5 milímetros de lado com peso de 5,4 miligramas, o que faz com que as abelhas, da espécie Apis mellifera africanizadas, com em média 70 miligramas de peso, sintam como se estivessem “carregando uma mochila nas costas”.
“Mas isso não afeta o comportamento delas, que se adaptam muito rapidamente à instalação dos microssensores”, garantiu.
Já a partir no próximo semestre, os pesquisadores deverão começar a instalar os microssensores, que custam US$ 0,30 (cerca de R$ 0,70) cada, em espécies nativas da Amazônia não dotadas de ferrão. Segundo Souza, estas abelhas são ainda mais importantes para a polinização das plantas da região, e são também mais sensíveis a mudanças no ambiente. Assim, a escala da experiência deve aumentar, com a utilização de 10 mil dos pequenos aparelhos ao longo de várias gerações de abelhas, que vivem em média dois meses.
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Fonte: O Globo, por Cesar Baima