Adeus a um incansável estudioso sobre a Amazônia

18/03/2011 – “A Amazônia é algo que pega você”. Esta é uma das afirmações deixadas pelo professor de geografia da Universidade da Califórnia, Hilgard O’Reilly Sternberg. Parte de sua obra revelava de forma objetiva o fascínio dele pela região. O geógrafo – considerado pioneiro da geografia amazônica – faleceu no último dia 2 de março, aos 93 anos, por causas naturais em Fremont, na Califórnia (EUA).

 

A defesa da Amazônia e o reflexo da interferência da sociedade humana no meio ambiente foram algumas das bandeiras levantadas pelo pesquisador que dedicou grande parte de sua vida profissional à região, publicando vários artigos e livros sobre o assunto.

 

Em 1944, Sternberg teve o primeiro contato com a Amazônia. Em sua obra “A água e o homem na Várzea do Careiro”, o pesquisador discute a relação de dependência que há entre o ribeirinho e a água. Segundo o cientista, esse relacionamento determina as atividades agrícolas, o manejo dos animais, habitação e a construção de alternativas para moradia como é o caso dos flutuantes e plataformas para abrigar o gado em períodos de enchentes.

 

Perda

 

Para o Reitor da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e doutor em Geografia Humana pela Universidade de São Paulo (USP), José Aldemir de Oliveira, o trabalho realizado por Sternberg tem um mérito incontestável devido a analise da Amazônia com suas especificidades.

 

Oliveira ressalta que o geógrafo abordou em seus estudos a relação ‘ser humano e o curso das águas’, assunto que ainda pode ser tema de muitas pesquisas. “A obra A água e o homem na Várzea do Careiro analisa a realidade amazônica com uma nova perspectiva, distinguindo as peculiaridades regionais, consideração quase inexistente na época”, destacou.

 

Saiba mais sobre Sternberg

 

Sternberg nasceu no Rio de Janeiro, em 05 de julho de 1917. Filho de pai alemão e  mãe irlandesa que tinham imigrado para o Brasil, o pesquisador atuou como presidente da Sociedade de Geografia do Brasil, no Rio de Janeiro, de 1944 até 1964, onde fundou o Centro de Investigação em Geografia do Brasil.

 

Em 1964, ingressou na faculdade de geografia UC Berkeley, onde permaneceu até sua aposentadoria. Foi membro da Academia Brasileira de Ciências e pesquisador da Associação Americana para o Avanço da Ciência. Sternberg recebeu a maior honraria do Brasil, a Ordem Nacional do Mérito, em 1956.

 

Em 1998, ele foi condecorado com a Grande Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico pelo no Brasil por suas contribuições para o desenvolvimento científico do país. Obteve seu doutorado na Universidade de Louisiana, em 1956, com uma tese sobre o rio Mississipi, e um doutorado em geografia pela Universidade do Brasil em 1958.

Agência FAPEAM

Com informações do site News Center 


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