Artigo – A Univers(c)idade

18/07/2012 – A Univers(c)idade, Por José Aldemir *

Na quinta-feira dia 12 de julho, o governador Omar Aziz apresentou o projeto da Cidade Universitária a ser construída nos próximos anos na margem direita do Rio Negro no município de Iranduba. Trata-se de um projeto arrojado que concentrará a parte administrativa, as unidades acadêmicas, parque tecnológico, hospital, vila olímpica, moradia para estudantes e outros equipamentos necessários ao funcionamento de uma Universidade voltada para o futuro.

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É importante assinalar que uma Universidade não é apenas prédios, mas é também isso, pois, sem boa infraestrutura de sala de aulas, laboratórios e apoio administrativo, a Universidade não poderá cumprir o seu principal desafio que é formar pessoas. No caso da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), para além desse desafio, ela deve contribuir para reinventar o Amazonas e a Amazônia, formando e fixando profissionais das diversas áreas do conhecimento atualizados com os padrões avançados da ciência, tecnologia e inovação.

O lançamento do projeto da Cidade Universitária é importante pela possibilidade de ampliar e consolidar a UEA, além de alargar o seu papel de formar pessoas comprometidas com um projeto de cidadania. Além disso, por meio da pesquisa e extensão, apontar caminhos para a agregação de valores à economia regional inovando especialmente na biodiversidade. Nessa perspectiva, a cidade universitária deve fomentar parques tecnológicos, hospital universitário e empresas de base tecnológica.

Já se disse amiúde que não há crescimento socioeconômico para a Amazônia sem desenvolvimento da ciência e da pesquisa capaz de se transformar em inovação. A Universidade, para ser amazônica, não pode perder a perspectiva de que a ciência é universal, mas que é preciso criar os meios de infraestrutura e de qualificação de pessoas para que se produza ciência na região visando atender as demandas econômicas e também de saúde, educação, transporte, agroecologia, artes, linguística e política.

O desafio da Universidade do Estado do Amazonas, nas próximas décadas, é formar gente capacitada para produzir e difundir conhecimento e ciência engajados. Por isso, é preciso grandes e arrojados projetos, grandes porque são estratégicos, voltados para dar conta de temas e problemas da gente amazônica. Para tanto, a Universidade deve ser aberta ao trabalho cooperativo com outras instituições nacionais e estrangeiros, e a Cidade Universitária também aponta com o Campo da Terra.

O projeto da Cidade Universitária consolida o papel estratégico de interiorização da UEA que se instala concreta e virtualmente em todos os recantos do Amazonas. A preocupação com a moradia universitária, alojamentos para 6 mil estudantes, sendo 2 mil na primeira etapa, reforça a perspectiva de inclusão da UEA que reserva 80% de suas vagas para ingresso por meio de cotas. Esse compromisso firmado desde a sua criação, reforça o ideal de democratização do acesso à Educação Superior às populações do interior do Amazonas, entendendo que as pessoas não poderão atingir qualquer patamar de desenvolvimento sem uma cultura acadêmica e profissional adequada.

Muitas vezes não compreendemos a História quando dela somos sujeitos. As dificuldades de implantação de um projeto da magnitude da Cidade Universitária não são triviais, exigindo o engajamento de professores, alunos e servidores na sua execução. A participação efetiva da comunidade universitária neste projeto muito representa para a instituição e, principalmente, para a gente do Amazonas.

José Aldemir de Oliveira é professor e atual reitor da Universidade do Estado do Amazonas. Este artigo foi publicado simultaneamente no Jornal Diário do Amazonas e no portal D24am 17/07/2012.


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