Banco de dados reúne informações de espécies não-madeireiras
Informações sobre Produtos Florestais Não-Madeireiros (PFNM) provenientes de 25 árvores da região agora podem ser acessados por meio de um banco de dados disponibilizado pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). O banco concentra dados sobre a copaíba, a andiroba e a castanha da Amazônia, dentre outras. O objetivo é facilitar a comercialização do produto mapeado, beneficiando , assim, as populações extrativistas amazônicas. A maioria dos produtos tem destinação comercial.
Desenvolvido com o apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM), o projeto "Geoprocessamento Aplicado na Valorização de Produtos Florestais Não-Madeireiros (PFNM)” foi realizado entre 2006 e 2008 e contou com cerca de R$ 50 mil por meio do Programa de Desenvolvimento Científico Regional (DCR).
Hoje, cientista do Centro de Pesquisa Leonidas e Maria Deane (Fiocruz AM), o biólogo Sylvain Jean Marie Desmoulière explicou que, na época do levantamento, era bolsista do Inpa e que a pesquisa foi feita em comunidades de Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS). Primeiramente, foram identificadas as fontes de informações e, em seguida, realizadas reuniões nas comunidades. Ele disse que o trabalho com a coleta de dados foi muito difícil.
"Todavia, não podíamos parar. Tivemos um fôlego com as informações captadas pelo projeto Radam Brasil, órgão criado na década de 1970, que conseguiu fazer um inventário de árvores de uso madeireiro, dentre as quais havia produtos florestais não madeireiros", explicou e, em seguida, destacou que o importante na pesquisa foi consegui reunir, validar e disponibilizar informações para um público amplo.
Na época, de acordo com Desmoulière, o projeto Radam Brasil identificou cerca de 3 mil pontos de recursos madeireiros espalhados pela floresta. Ele salientou que durante este período o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) iniciou um processo de reorganização dos dados pesquisados deixados pelo projeto Radam. "As informações foram repassadas para o Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), que as doou para o Laboratório Sistema de Informação Geográfica (Siglab), do Inpa", informou.
Conforme Desmoulière, inicialmente, o mapeamento foi delimitado no Amazonas. Contudo, em razão das espécies pesquisadas ultrapassarem as fronteiras do Estado, o espaço geográfico compreendeu os estados de Mato Grosso, Roraima, Acre até o Pará, que corresponde à área de abrangência iniciada pelo projeto Radam.
Com o banco de PMNF, segundo o pesquisador, o trabalho de identificação das espécies em Unidades de Conservação será facilitado. Além disso, poderá contribuir com a elaboração de políticas específicas de preservação e de estudos científicos.
Espécies excluídas
Durante o levantamento e a elaboração do banco, o pesquisador teve que excluir algumas espécies que têm destinação farmacêutica, dentre elas, o "leite do Amapá". Isso ocorreu porque o produto já é utilizado pela indústria, apesar de ser considerado um medicamento tradicional nas comunidades rurais da Amazônia.
Sebastião Alves Filho – Agência Fapeam