Biologia molecular ajuda a diminuir gargalos da aqüicultura
Luis Val citou como exemplo o uso de técnicas, entre elas, a biologia molecular para ajudar a diminuir os gargalos do setor. Ele parabenizou a professora Marilene Correa por ter assumido a reitoria da UEA, e disse que a parceria com a universidade é importantíssima. "A UEA tem contribuído muito com o desenvolvimento da cadeia produtiva".
O objetivo do workshop é debater as conseqüências das restrições ambientais sobre o desenvolvimento da aqüicultura na Amazônia, os efeitos da nutrição e dos resíduos das rações na qualidade da água e nos sedimentos do fundo dos viveiros. Também trata sobre a eficácia de diferentes BPMs em função dos distintos sistemas de produção utilizados pela criação de peixes. O encontro reúne especialistas da área, estudantes de graduação e pós-graduação.
A reitora Marilene Correa disse que a função da UEA é suprir as lacunas da estrutura profissional e servir de apoio para o governo estadual. Para ela, a universidade possui dupla responsabilidade.
Além disso, destacou a parceria com o Inpa e falou sobre os Arranjos Produtivos Locais (APLs), bem como as ações para articulação e desenvolvimento de estudos, pesquisas e inovação tecnológica das cadeias produtivas, nos quais o Inpa e a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) estão inseridos, sendo as instituições com mais projetos aprovados.
"O desafio é pensar nas tecnologias e transferi-las para o interior do estado. Este será um dos trabalhos das instituições", explicou.
O coordenador-geral de Incentivo à Pesquisa e Geração de Novas Tecnologias da Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca (Seap), Eric Routledge, disse que a Amazônia tem um grande potencial para aqüicultura. Primeiro, devido ao grande volume de peixes, e, segundo, a enorme quantidade de recursos hídricos disponível. Ele também afirmou que debater a aqüicultura com estudantes é fundamental, pois não há como ter desenvolvimento do setor na região sem mão-de-obra qualificada.
"Temos a matéria-prima, mas precisamos de tecnologia, pessoal capacitado, investimento em pesquisa e insumos de qualidade", ressaltou.
Para a representante da Embrapa Amazônia Ocidental, Maria do Rosário Lobato Rodrigues, o workshop é um fórum onde as instituições se unem aos órgãos governamentais para se debater a problemática da aqüicultura, como, a ameaça de extinção de determinadas espécies de peixes, a emissão de efluentes nos rios, entre outros.
Palestra Peixes da Amazônia e Piscicultura: Após a abertura, o pesquisador Adalberto Val fez uma exposição sobre o tema "Peixes da Amazônia e Piscicultura". Na ocasião, ele discorreu a respeito dos efeitos da radiação ultravioleta no pirarucu e tambaqui; as vantagens do uso dos frutos da Amazônia na alimentação de peixes e boas práticas para piscicultura.
Val disse que a criação de peixes em cativeiro requer cuidados específicos para evitar o estresse dos animais. Entre os fatores que contribuem para o aumento do problema estão: a quantidade de oxigênio nos tanques, a exposição a herbicidas e o tipo de manuseio, que podem alterar os parâmetros fisiológicos dos animais.
Ele explicou que essas variáveis têm sido as principais causas de perda de produtividade de criadores de peixes em todo o país, além de ter apontado uma série de indicadores de manejo em sistemas de criação. O outro dado interessante apresentado pelo pesquisador foi de que a utilização de vitamina C na ração dos animais diminui o nível de estresse dos mesmos.
Em relação às radiações ultravioletas (UV), o projeto foi feito com o tambaqui e o pirarucu. A pesquisa demonstrou que a penetração da radiação UV na água está relacionada à quantidade de material sobre a água e à quantidade de carbono orgânico dissolvido na mesma. Essas radiações podem causar vários distúrbios fisiológicos nos peixes, tais como: danos epiteliais e bioquímicos. Segundo o pesquisador, por isso, é fundamental realizar mais pesquisas de análises sobre o assunto.
Assessoria de Comunicação do INPA