Brasil deve liderar discussões sobre mudanças climáticas

29/10/2011 O encontro Rio+20 é a última chance para que mudanças sejam promovidas nos rumos das políticas públicas globais voltadas para a preservação do meio ambiente, pois os países ricos não cumpriram as metas estabelecidas nas Conferências Internacionais sobre Mudanças Climáticas promovidas pela Organização das Nações Unidas (ONU). A afirmação é do jornalista e presidente da Associação de Correspondentes Estrangeiros em São Paulo (ACE) e diretor da Agência de Notícias da Itália (Ansa), Roberto Cattani.  

 

Durante o painel “A Repercussão das Notícias da Amazônia no Exterior sob a ótica de Quem faz Notícias”, realizado no âmbito da programação da Feira Internacional da Amazônia (Fiam), Cattani afirmou que só o Brasil cumpriu as metas estabelecidas para a diminuição das emissões de gás carbônico (CO2) para a atmosfera, esclareceu que, hoje, o País é exemplo de política pública voltada para a preservação do meio ambiente. O painel ocorreu na última sexta-feira, 28 de outubro, no Studio 5 Centro de Convenções, e foi promovido pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Amazonas (SJPAM), Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (SDS), ACE e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM).

 

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Cattani explicou que chegou ao Brasil durante o período das “Diretas Já” e, na época, o País não tinha relevância internacional. O quadro mudou após a eleição do ex-presidente Fernando Collor de Melo. Apesar do impechament, segundo ele, houve um salto de qualidade. “Com os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, o Brasil consolidou-se no cenário mundial. Atualmente, jornalistas desejam ser correspondentes no País. Há a perspectiva dos próximos eventos internacionais que serão realizados, como a Rio +20, Jornada da Juventude Internacional, Copa do Mundo. O Brasil vai ser o centro do mundo”, salientou. 

 

Sobre o espaço para a cobertura jornalística na Amazônia, Cattani disse que a houve diminuição nos últimos dez anos. Ele justifica ao afirmar que com o controle do desmatamento e das queimadas não há novidades importantes para se relatar. “A imprensa está interessada na cobertura climática, efeito estufa, enchente de rios, descoberta de novas espécies da fauna e da flora de interesse farmacêutico em contraste com a diminuição dos ecossistemas. Do outro lado, o resto do mundo está cada vez pior”, informou.

 

Cenário Internacional

 

src=https://www.fapeam.am.gov.br/arquivos/imagens/imgeditor/SITE_E6B2225.jpgPara o jornalista da Globo News em Londres, Silio Boccanera, a imagem do Brasil no cenário internacional mudou muito durante as três décadas dele de atuação como correspondente. Ele lamentou que a imagem fosse de devastação sem controle, ditadura, censura e indiferença. O Brasil não aparecia e sabia-se pouco sobre o país. 

 

“As mudanças da imagem no cenário internacional são recentes. Durante as comemorações dos 500 anos do Brasil, foram feitas entrevistas aleatórias nas ruas de Paris, com pessoas comuns, e elas não sabiam nada do Brasil. Hoje, parece que surgiu um namoro repentino, sob aspectos econômicos, geopolítico, estabilidade política, o sistema jurídico é considerado sólido para decidir disputas comerciais”, salientou.

 

Contudo, Boccanera ressaltou que o problema é que o Brasil está sendo comparado com os países que fazem parte do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China). Nesses países, segundo ele, os problemas econômicos, políticos e ambientais são mais graves. “Na Rússia, não existe sorriso, simpatia, calor humano. As pessoas parecem que nasceram de mau humor”, brincou.

 

Boccanera informou que o País aparece de forma positiva nas manchetes internacionais como, por exemplo, sobre o crescimento econômico das classes mais pobres e o programa Bolsa Família, que é elogiado e copiado. “As críticas são focadas nos casos sucessivos de corrupção e deficiência de infraestrutura. Entretanto, não se podem esquecer as notícias sobre construção de hidrelétricas, maus-tratos aos indígenas. A impressão que se tem é de que ninguém é punido ou raramente”, explica.  

 

Para ele, não se deve censurar o aspecto negativo da mídia. Não adianta querer esconder a imagem ruim em época de celular e internet. Se a imagem for negativa, aparece. Caso o correspondente chegue à Amazônia com uma imagem preconcebida, o assessor precisa dar a ele o mínimo de informações para contrapor. “Dar para vender o potencial da Amazônia. É preciso mostrar para o investidor estrangeiro que é melhor produzir um produto em Manaus do que em Xangai. A melhora maneira de melhorar a imagem do País é melhorar a realidade”, sugeriu.

 

 

Luis Mansuêto –  Angência FAPEAM

 

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