Brasil e Cuba assinam acordo de transferência de tecnologia

No último dia 16, o Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos da Fundação Oswaldo Cruz (Bio-Manguinhos/Fiocruz), a Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Instituto Finlay, de Cuba, assinaram um contrato de desenvolvimento conjunto e transferência de informações técnicas para a produção da vacina meningocócica AC. O evento, realizado às 11h na residência oficial da Fiocruz, no Rio de Janeiro, contou com a participação de autoridades de ambos os países e representantes das instituições parceiras.

A cooperação visa a produção emergencial da vacinacontra meningite meningocócica AC para os países do chamado Cinturão da Meningite, na região do sub-Saara africano, devido ao cancelamento da produção desta vacina pelos laboratórios multinacionais. Com o objetivo de não descontinuar o fornecimento, a OMS solicitou a colaboração do Bio-Manguinhos/Fiocruz e do Instituto Finlay. "É um acordo que visa um bem maior, que está sob a égide da solidariedade internacional", disse o presidente interino da Fiocruz, Paulo Gadelha, durante a cerimônia.
Serão produzidas mais de 20 milhões de doses da vacina meningocócica AC para o período 2007/2008. A vacina será distribuída, segundo orientações da OMS, a países como Burkina Faso, Chad, Costa do Marfim, Mali, Niger, Nigéria e Sudão, em que a doença atinge índices elevados. Há possibilidade de uma demanda extra para fornecimento direto a estes países até o fim deste ano.
Representando o ministro da Saúde, Moisés Goldbaum, secretário nacional de Ciência & Tecnologia e Insumos Estratégicos, destacou a importância da parceria: "o governo brasileiro tem empreendido esforços para desenvolver a competência científica e tecnológica nacional. Não se trata apenas de um intercâmbio latino-americano, mas de um evento marcante em que interesses políticos se sobrepõem aos econômicos".
Além de Paulo Gadelha e Moisés Goldbaum, estiveram presentes Dirceu Raposo de Mello (presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Akira Homma (diretor de Bio-Manguinhos), Concepción Campa Huergo (diretora do Instituto Finlay), Jose Goicoechea (diretor do Pólo Científico do Conselho de Estado de Cuba), responsável pelo Estoque de Vacinas para Emergências da OMS. Ameaça

Alejandro Costa apresentou um panorama da doença no sub-Saara, na África, revelando nova tendência de crescimento. "Uma onda de meningite teria um grande impacto político nesta região, pois haveria muitas mortes num curto período e falta de antibióticos para combater uma epidemia". No melhor dos cenários traçados pela OMS, estima-se que 80 mil pessoas sejam afetadas no período 2007-2008, com cerca de 10% de casos fatais. A piores previsões indicam o dobro do número de casos da doença.
Parceria

Bio-Manguinhos e o Instituto Finlay dominam a tecnologia de produção de vacinas polissacarídicas contra os meningococos A e C. O acordo entre Brasil e Cuba viabilizará a produção em larga escala (a partir de março de 2007), possibilitando a distribuição de vacinas num curto espaço de tempo (até o fim deste ano) para combater o risco de uma epidemia de meningite AC.
As informações são da Assessoria de Comunicação da Bio-Manguinhos/Fiocruz.


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