Centro lingüístico no AM é fundamental para preservação de línguas indígenas
A Amazônia possui a maior diversidade de línguas indígenas do país. São aproximadamente 200 línguas, muitas com sérios riscos de desaparecer, apesar da resistência dos falantes e das poucas – porém fundamentais – pesquisas lingüísticas. Uma alternativa para minimizar o problema é transformar o Amazonas em um grande centro internacional de produção de conhecimento lingüístico.
A declaração foi feita pelo pesquisador do Centre d’Études des Langues Indigènes d’Amerique – CELIA, Francisco Queixaloz, durante a abertura da conferência “A Estrutura das Línguas Amazônicas: Fonologia e Gramática”, nesta segunda-feira. O evento está sendo realizado no auditório rio Negro no Campus do Instituto de Ciências Humanas e Letras (ICHL) da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e se estende até quinta-feira (06).
Segundo Queixaloz, o Amazonas, por sua proximidade geográfica com as comunidades indígenas, torna a transmissão dos resultados em ações aplicadas mais eficazes. Ele disse que as ações são fundamentais para incentivar o desenvolvimento da lingüística no meio das línguas indígenas, as quais foram intensamente exploradas.
“A Amazônia está iniciando um processo de integração lingüística entre as comunidades acadêmicas, o que é fundamental para o processo de cooperação internacional. As instituições internacionais (universidades e agências de fomento) podem contribuir para a construção e no reconhecimento de centros de produção de conhecimento na Amazônia”, afirmou Queizaloz, pedindo aos participantes que o encontro não seja apenas o primeiro, mas o começo de uma série de outros debates.
Para um dos coordenadores da conferência, Frantomé Bezerra Pacheco, o Amazonas está dando o primeiro passo para uma integração maior com os vizinhos sul-americanos na documentação e resgate das línguas indígenas. Ele explicou que se deve pensar a lingüística internacionalmente. “Às vezes, há o intercâmbio com países da Europa e com os EUA e não se faz parcerias com os países da América do Sul”, lamentou.
O vice-diretor do ICHL, Auxiliomar Vgarte, disse que todo o conhecimento produzido sobre as línguas indígenas precisa ser resgatado para que não se perca no âmbito da burocracia. Por isso, segundo ele, é preciso disponibilizar as informações para o amazônida devido à sua própria origem indígena e não somente para a academia.
A cientista do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Ana Carla Bruno, explicou que o objetivo da conferência é estreitar e fortalecer a cooperação internacional entre as cinco instituições que trabalham com a lingüística indígena: Ufam, Inpa, Universidade Livre de Amsterdã (VUA, sigla em holandês), Leiden Universiteit (Holanda) e o CELIA/CNRS, sigla em francês.
Segundo ela, a idéia dos cientistas, ao final do encontro, é articular um programa de pesquisa em conjunto para a capacitação de estudantes e troca de experiências entre os pesquisadores por meio de atividades acadêmicas.
Organizado pela Ufam e Inpa, o encontro conta com recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), além do apoio do Ministério das Relações Exteriores da França, Instituto Nacional das Línguas Orientais (INALCO), VUA, Leiden Universiteit (Holanda), CELIA/CNRS.