Cheiros são “aprisionados” em frascos

 

Você já se imaginou cheirando um frasquinho com o aroma do seu animal de estimação? Pois é. O que parecia coisa de outro mundo agora pode ser possível. O engenheiro químico e pesquisador Valdir Veiga afirma que é possível realizar o feito a partir das técnicas da Química de Produtos Naturais.

Para quem se interessa pelo assunto, o andamento da pesquisa poderá ser conferido na palestra "Aromas da Floresta", que acontece nesta quinta-feira (25/03), às 17h, no Museu da Amazônia (Musa), localizado na Avenida Constelação, 16, Conjunto Morada do Sol, Aleixo.

Segundo o pesquisador, é possível recolher diversas substâncias do ar à medida que as fragrâncias são liberadas. “É possível, sim, obter esses aromas utilizando as técnicas da Química de Produtos Naturais. Pode-se extrair os óleos essenciais, os constituintes que compõem compostos aromático de plantas, e pode-se, também, recolher essas substâncias no ar, à medida que são liberadas por uma fonte qualquer, como uma flor ou mesmo um animal”, explicou.

vspace=10Veiga ressaltou que as técnicas são essencialmente as de extração de óleos essenciais, como o arraste a vapor d’água e a hidrodestilação, além de técnicas de captura de voláteis, como a microextração em fase sólida conhecida pela sigla (SPME), que é uma técnica singular para preparo de amostras que elimina a maioria dos inconvenientes encontrados na extração de compostos orgânicos.

De acordo com a pesquisa, existem diferentes técnicas que permitem identificar esses “aromas da floresta”. “Para identificar os constituintes voláteis de uma determinada mistura, a técnica de escolha é a cromatografia em fase gasosa com detectores de espectrometria de massas, que permite a identificação pela comparação de padrões de fragmentação das moléculas. Técnicas avançadas, como a cromatografia multidimensional, também estão sendo empregadas pelo nosso grupo de pesquisa”, ressaltou.

Uso prático

Veiga afirmou que os resultados da pesquisa serão aplicados na área de Biotecnologia. “As aplicações são diversas. De perfumes, aromas e fragrâncias a produtos medicinais”, avaliou.

A pesquisa vem sendo desenvolvida a partir de trabalhos de mestrado e doutorado de diversos alunos do Grupo de Pesquisas em Biomoléculas da Amazônia (Q-BiomA).

Pesquisador fixado

Veiga foi o primeiro bolsista do Programa de Desenvolvimento Científico Regional (DCR), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em parceira com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), que se fixou no Amazonas, após ingressar neste programa. O DCR estimula o deslocamento de doutores formados em outros Estados para desenvolver pesquisa científica e tecnológica em regiões ainda carentes de recursos humanos especializados.

Oriundo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e fixado na Universidade Federal do Amazonas, ele realizou amplo perfil químico das plantas medicinais da Amazônia, testando seus extratos para combater doenças relacionadas ao envelhecimento, câncer e Mal de Alzheimer.

Amostras vivas

Para o evento desta quinta-feira, no Musa, o pesquisador declarou que o interesse é montar passeios interativos em que seja possível perceber e reconhecer os diversos cheiros da floresta, de plantas a animais.

Maiores informações você pode obter no site do QBioma.

Foto 1 – Valdir Veiga Jínior, ex-bolsista DCR/Fapeam – Divulgação

Vanessa Leocádio – Agência Fapeam

 


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