Empreendedorismo ajuda a criar negócios inovadores

06/11/2012 – Uma das características do brasileiro é possuir um perfil empreendedor. A criatividade usada para produzir e criar produtos inovadores faz com que a maioria da população busque seu próprio negócio. Consequentemente, as empresas de micro e pequeno porte vêm ganhando cada vez mais destaque no cenário nacional. No Brasil, apesar das atividades do setor privado em pesquisas e desenvolvimento ainda serem tímidas esses empreendimentos perpetuam-se nas áreas onde a qualificação, o desenvolvimento sustentável e a inovação se fazem presentes.

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Investir em políticas públicas que contribuam para fortalecer o desenvolvimento sustentável e buscar novos meios de satisfazer as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade das gerações futuras é o que o Governo do Estado do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM), vem fazendo. Para isso, também conta com o apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). As iniciativas são viabilizadas através de programas que colaboram tanto para potencializar micro e pequenas empresas na produção de produtos inovadores, quanto na formação de recursos humanos.

Programas de pesquisas específicas mostram que a ciência pode ser uma forte aliada das empresas, tornando-se um excelente negócio. Essas ações podem ser vistas no Programa de Apoio à Pesquisa em Empresas na Modalidade Subvenção Econômica a Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pappe Integração), que visa apoiar as micros e pequenas empresas interessadas no desenvolvimento de produtos e processos inovadores.

Com investimentos da ordem de R$ 6 milhões, o programa contemplou na sua última edição 24 projetos de diversas áreas, tais como tecnologia da informação e comunicação, produtos alimentícios com insumos locais, engenharia de processo, biotecnologia, produtos e serviços ambientais, turismo ecológico e rural nas mesorregiões do Amazonas, ciências da saúde, fitoterápicos e fitocosméticos, fibras amazônicas, biocombustíveis, artesanato, engenharia do processo, dentre outros.

Aprendizado constante

Para o coordenador do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Inovação (Nepi), da Fundação Centro de Análise, Pesquisa e Inovação Tecnológica (Fucapi), Guajarino de Araújo Filho, o programa possibilita um aprendizado por parte das empresas, que começam a adquirir competência na gestão e elaboração de projetos. “O foco do programa é inovação e tecnologia, e ele contribui para isso. O recurso que é oferecido para uma empresa de micro e pequeno porte é significativo, apesar da contrapartida exigida. Esse apoio é essencial para a empresa desenvolver o produto, o processo, contratar serviços especializados”, pontuou o pesquisador.

Doutor em Engenharia de Produção, Araújo destacou que cada edital lançado contribui para que as empresas se familiarizem com a ideia de que inovar não é um ‘bicho de sete cabeças’ e que a inovação é possível independente do porte que a empresa possui. “Não tenho dúvidas de que o Pappe Integração, em termo de inovação e política pública no Estado, é o programa de maior impacto, pois é exclusivo para inovação, o que é significativo”, salientou.

Inovação na área educacional

/Contemplada na última edição do Pappe Integração, a empresa Pentop do Brasil desenvolveu um novo método de ensino acelerado dos idiomas Inglês e Espanhol para profissionais do trade turístico do Brasil, por meio da produção de um software para ensino e aprendizagem. O material é composto por um kit formado por três livros para ensino de Inglês e para o Espanhol, um livro para o ensino de Turismo e sete softwares de sonorização de livros.

De acordo com o coordenador do projeto, Marivaldo Albuquerque, o Inglês foi escolhido por ser um idioma universal, e está presente praticamente em todos os lugares do mundo. Já a escolha do Espanhol foi em função de ser a principal língua da América Latina. “O projeto atende a uma demanda reprimida por produtos inovadores que garantam aprendizado acelerado, flexibilidade para estudo e portabilidade do material e mídias utilizadas”, destacou.

A empresa desenvolveu uma plataforma de software que viabilizou a realização de dois projetos. O primeiro foi de codificação do livro e o segundo tratou da programação da caneta que faz a leitura. Alburqueque revelou que hoje possui um ambiente no qual permite automatizar boa parte do processo, pois antes a programação era feita manualmente. A Pentop este ano pretende produzir cerca de 7 mil canetas e lançar em torno de 40 mil livros.

Sistema de Gestão em Eficiência Energética

/Desenvolver uma solução completa de software de Gestão de Eficiência Energética (Sigefe) voltada à autogestão das empresas e sistematizar as melhorias contínuas é o foco da empresa Solvetech Consultoria em Tecnologia Ltda., contemplada no Programa Pappe Integração.

Conforme o coordenador da pesquisa, Pierre Dantas, o software será fornecido como serviço. A Solvetech irá realizar a consultoria e a capacitação da empresa que utilizar o software de forma a permitir à contratante a execução de melhorias contínuas no sistema de gestão energética. O resultado será o desenvolvimento sistemático de soluções e projetos.

A base técnica utilizada é a ISO 50.0001, que define parâmetros de qualidade em sistemas de gestão energética, que possibilita estabelecer, documentar e implementar continuamente o sistema de gestão energética de maneira sistemática.

Pró-Incubadoras fortalece empresas regionais

No Brasil são mais de 2,6 mil empresas instaladas em 384 incubadoras em todas as regiões. De acordo com o estudo ‘Análises e Proposições sobre as Incubadoras de Empresas no País’, as empresas empregam mais de 16 mil pessoas. O levantamento foi realizado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), em parceria com a Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec).

/Nessa perspectiva, a FAPEAM lançou no mês de maio desse ano a 1ª Edição do Programa de Apoio a Incubadoras de Empresas de Base Tecnológica (Pró-Incubadoras), em parceria com a Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti-AM). O edital teve como objetivo apoiar a manutenção de incubadoras existentes e promover a implementação de novas através da melhoria de processos internos, métodos de gestão e intercâmbio de princípios e conhecimentos. Foram disponibilizados recursos de R$ 1,7 milhão.

“O programa visa fortalecer o movimento de incubadoras, preferencialmente de base tecnológica nos municípios amazonenses, via apoio técnico, econômico e financeiro de incubadoras já implantadas no Estado”, afirmou a diretora-presidenta da FAPEAM, Maria Olívia Simão. Ela disse que o Programa faz parte do Plano de Ação 2012/2013 da FAP e consiste em uma forma de alavancar negócios inovadores, tendo a estrutura ofertada pelas incubadoras como uma estratégia a mais para promover a inovação no Amazonas.

De acordo com o titular da Secti-AM, Odenildo Sena, a iniciativa é estratégica na medida em que se trata de uma ação que vem dando certo em todo o Brasil. Ele salientou que a ação tem projetado diversas empresas no cenário nacional, com garantia de atuação no mercado, propiciado a geração de novos produtos e patentes, além de contribuir para o aumento do número de empregos e a melhoria da qualidade de vida da população. “Quanto maior o número de empresas incubadas, mais cresce a perspectiva de avanço do setor industrial no Estado”, afirmou o secretário.

O Pró-Incubadoras também pretende promover sinergia entre as incubadoras atuais, propiciando fortalecimento para o movimento como um todo e também o próprio envolvimento de outras entidades públicas responsáveis pelo desenvolvimento regional, como Secretaria de Estado de Planejamento e Desenvolvimento Econômico (Seplan), Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae/AM), Instituto Euvaldo Lodi (IEL), entre outros.

“O fortalecimento das incubadoras existentes, de forma a torná-las autossustentáveis e o próprio processo de criação de novas incubadoras, tem sido pauta de discussão do governo e apontado como alternativa para o desenvolvimento da região”, salientou a diretora-presidenta da FAPEAM, Maria Olívia Simão.

Atualmente, o Amazonas conta com oito incubadoras instaladas na capital e outras estão em processo de instalação no interior do Estado. Apesar dos esforços empreendidos por diversas instituições, tanto públicas quanto privadas, o movimento e a cultura de incubação de empresas no Amazonas precisa se intensificar para apresenta resultados sólidos e sustentáveis.

De acordo com Maria Olívia, o Amazonas tem poucas incubadoras e uma apenas é robusta. "Queremos potencializar esse espaço de empreendedorismo para geração de negócios inovadores, haja vista o potencial dos insumos regionais e matérias-primas que precisam ser industrializadas e comercializadas", disse.

Maria Olívia ressaltou ainda que os recursos aportados pelo Governo estadual são importantes para consolidar a rede de incubação, de modo que possam gerar empresas inovadoras de sucesso, com alto potencial de crescimento econômico e inserção em mercados competitivos.

Estudantes recebem incentivos para formação nas áreas de engenharia e TI

/A área de Engenharia está em primeiro lugar no ranking dos salários mais bem pagos no mercado de trabalho. Apesar dos fatores positivos da profissão, a área de é umas das mais carentes por profissionais qualificados. Dados do Conselho Nacional Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) apontam que enquanto o Brasil forma cerca de 40 mil engenheiros por ano, a Rússia, a Índia e a China formam 190 mil, 220 mil e 650 mil, respectivamente. Entidades empresariais, como a Confederação Nacional da Indústria, têm feito estudos sobre o impacto da falta de engenheiros no desenvolvimento econômico brasileiro.

No Amazonas, o cenário também não é diferente. Mas a FAPEAM, em parceria com a Secti-AM, deu início no mês de julho ao Programa Estratégico de Indução à Formação de Recursos Humanos em Engenharias no Amazonas (Pró-Engenharias) e ao Programa Estratégico de Indução à Formação de Recursos Humanos em Tecnologia da Informação (RH-TI). As iniciativas consistem em estimular, a partir do segundo ano do Ensino Médio, estudantes da rede pública, a seguirem carreiras acadêmicas e profissionais, respectivamente, nas áreas de Engenharia e de Tecnologia da Informação.

As atividades contam com investimentos da ordem de R$ 1,6 milhão, sendo R$ 800 mil para cada programa. No total, 80 estudantes (40 para cada área) serão beneficiados com bolsa mensal de Iniciação Científica Júnior Especial, no valor de R$ 190. A bolsa é concedida durante dois anos do Ensino Médio. Caso o estudante seja aprovado em cursos ofertados por universidade pública, ele receberá no primeiro ano de graduação, pelo programa ao qual estiver vinculado, uma bolsa de R$ 360.

As atividades contam com o auxílio de 12 professores da rede pública de ensino, além de dois doutores, um da área de TI e outro de Engenharia, e mais oito tutores (quatro para cada área), que serão alunos de graduação oriundos de universidades públicas do Amazonas.

Para o coordenador do Pró-Engenharias, professor Disney Douglas, o curso de Engenharia está entre os mais concorridos, entretanto, a maioria dos aprovados na área é da rede particular de ensino. “Essa é uma oportunidade ímpar na formação. Vamos trabalhar os conteúdos que serão vistos no Processo Seletivo Contínuo (PSC) e Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), então, as chances deles entrarem em instituições públicas irão aumentar”, explicou.

Conforme os dados do Conselho Regional de Engenheiros e Agrônomos do Estado do Amazonas (Crea-AM), o Estado possui mais de 16 mil engenheiros cadastrados, sendo que o maior número é na área de Engenharia Civil, seguido por Engenharia Elétrica e Engenharia Mecânica.

Para o presidente do Crea-AM, Telamon Barbosa Neto, a área tecnológica está em expansão no Brasil e os profissionais legalmente habilitados e qualificados, geralmente, têm vaga garantida. “A iniciativa de levar este tipo de conhecimento às escolas públicas com certeza é mais um mecanismo capaz de aumentar o interesse dos alunos por algum dos diversos ramos de atuação do Sistema Confea/Crea no mercado de trabalho”, frisou. Engenheiro civil, Neto destacou que toda e qualquer ação que estimule o ingresso na área tecnológica é importante e bem-vinda.

Para o bolsista de Iniciação Científica Júnior, Davi Bennier, de 16 anos, que faz parte do Programa Pró-Engenharias, a iniciativa é um grande avanço no ensino público, uma vez que incentiva os jovens a seguirem a carreira de Engenharia. “Gosto muito de Matemática e Física, então, é um início para ingressar nessa área. Eu pretendo seguir a carreira de Engenharia Eletrônica ou Química. Estou em dúvida, mas são duas áreas extremamente importantes para o desenvolvimento do nosso Estado”, informou Bennier.

Durante todo o segundo semestre deste ano e todo o ano letivo do próximo, cada um dos alunos selecionados se dedicará às atividades. Para isso, a Secretaria de Estado de Educação (Seduc), por meio do IEA, montou toda uma estrutura de salas de aula e laboratórios para receber os estudantes, pelo menos três vezes por semana, para a realização de atividades práticas exclusivas correspondentes às disciplinas de Língua Portuguesa, Língua Inglesa, Matemática, Física, Química e Filosofia, trabalhadas de forma interdisciplinar por professores da rede pública.

Por Esterffany Martins
Com colaboração de Rafaela Vieira e Rosilene Corrêa – Agência FAPEAM

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