Entrevista: Aguimar Simões e o sucesso da Agrocon
Com uma ideia simples, surgida a partir de uma dissertação de mestrado, o empresário e dono da Agrocon Revestimentos da Amazônia, Aguimar Simões, vem alcançando o sucesso com revestimentos feitos do ouriços de castanha-do-brasil. A maior prova desse sucesso foi o prêmio que recebeu recentemente da Revista “Casa Claudia”, da editora Abril, na categoria Materiais de Construção. Na entrevista concedida à Agência Fapeam, Simões fala sobre a importância da FAP para o projeto, inserido no Programa Amazonas de Apoio à Pesquisa em Micro e Pequenas Empresas (Pappe Subvenção/Finep Amazonas), sobre a intenção da Agrocon de alcançar 5% do mercado de revestimentos especiais e como pretende colocar o produto no mercado internacional. Confira a entrevista exclusiva a seguir.
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Agência Fapeam – Como surgiu a empresa?
Aguimar Simões – A empresa surgiu em 2005 apenas como consultoria ambiental. Em 2006 iniciamos as atividades com produtos florestais não-madeireiros, principalmente óleos vegetais. A empresa sempre buscou trabalhar diretamente com as comunidades extrativistas.
Agência Fapeam – Como surgiu a ideia de fazer revestimentos a partir de resíduos de frutos amazônicos?
Aguimar Simões – A ideia dos revestimentos surgiu a partir da minha dissertação mestrado, nela constatamos que os ouriços de castanha-do-brasil eram potenciais fontes de contaminação das sementes de castanha. Assim, buscamos dar um uso aos ouriços de uma forma que não fosse os artesanatos já conhecidos. Dessa forma, desenvolvi junto a profissionais de tornearia as máquinas de corte e montamos um processo produtivo semiartesanal onde houvesse produtividade com um material que serviria para a construção civil.
Agência Fapeam – Qual a importância do financiamento da Fapeam para o projeto obter o sucesso?
Aguimar Simões – A Fapeam tem extrema importância porque foi a partir do financiamento do projeto que a empresa pôde, efetivamente, realizar atividades de inserção mercadológica dos produtos, bem como diversificar seu catálogo de produtos. Antes do financiamento, a empresa só possuía a coleção feita de castanha e, após o recebimento da primeira parcela, a empresa já conseguiu desenvolver os revestimentos com sementes de tucumã e açaí, aguardando apenas o recebimento da segunda parcela para concluir a pesquisa dos materiais restantes.
Agência Fapeam – De que forma o prêmio da "Casa Cláudia" vai ajudar no desenvolvimento de novos projetos utilizando recursos da Amazônia?
Aguimar Simões – A premiação é um reconhecimento nacional de uma das mais importantes revistas de arquitetura e design do país. A "Revista Casa Cláudia" dita tendências e a premiação mostra que aqui no Amazonas, de fato, existem empresas que têm responsabilidade com o meio ambiente, com as pessoas e comprometidas em buscar a inovação com sustentabilidade.
Agência Fapeam – Como funciona a parceria com os produtores do interior responsáveis pela matéria-prima?
Aguimar Simões – As relações são comerciais, como acontece em qualquer empresa. A diferença é no preço que optamos em pagar para os produtores. O valor pago por saca de ouriço de castanha (média de R$ 6), por exemplo, corresponde a 50% do valor da lata de castanha, o que dá um aumento de renda significativo para essas famílias. Além disso, a empresa fornece treinamento em boas práticas de manejo para que as comunidades possam extrair as matérias-primas com responsabilidade e segurança alimentar. Esses treinamentos são feitos em parceria com outras instituições governamentais.
Linha de produção da Agrocom (Foto: Ulysses Varela)
Agência Fapeam – Como tem sido a aceitação dos revestimentos regionais no exterior, vocês têm representantes na Europa e EUA?
Aguimar Simões – O trabalho de inserção do produto no mercado internacional é muito árduo, veja que desde 2007, quando começamos a produzir os primeiros protótipos, estamos tentando colocar o produto no mercado. Apenas em 2009, já com o financiamento da Fapeam, conseguimos ter melhores resultados mercadológicos, principalmente por conta da nossa participação na Feira Revestir 2009, financiada pela Fapeam. Colhendo os resultados, estamos iniciando uma parceria com a Art Unic, uma empresa de revestimentos especiais na França, bem como estamos em processo de fechamento com uma distribuidora no Canadá e Estados Unidos. A aceitação tem sido ótima, esbarramos mesmo na questão de marketing e divulgação do produto, porém entendemos nossa limitação orçamentária como microempresa bem como a dificuldade de se inserir produtos novos nesse mercado.
Agência Fapeam – E os novos projetos que a empresa pensa em implementar para 2010?
Aguimar Simões – Para 2010, temos a intenção de aumentar o leque de produtos, pesquisando novas sementes. Além disso, planejamos melhorar a qualidade do processo produtivo, buscando automação através de pesquisa e desenvolvimento, a substituição das máquinas mecânicas por máquinas automáticas, aumentando a produtividade com o mesmo número de pessoas.
Agência Fapeam – Quais são os desafios a superar e as dificuldades encontradas?
Aguimar Simões – O nosso maior desafio é crescer com segurança, colocar os produtos no mercado de uma forma que as pessoas reconheçam seu valor agregado e não o vejam como "lixo" da floresta. Queremos conquistar pelo menos 5% do mercado de revestimentos especiais e consolidar a marca "Revestimentos da Amazônia" como uma marca responsável e de produtos de qualidade, essa será uma de nossas maiores conquistas. As dificuldades estão relacionadas principalmente à inserção lenta dos produtos no mercado, o que provoca baixa venda e consequentemente causa dificuldades financeiras para a empresa. Nós temos buscado ajuda com o Governo do Estado.
Agência Fapeam – Investir nos recursos naturais sem degradar é uma saída?
Aguimar Simões – Com certeza, nós temos a maior floresta tropical do mundo, temos diversidade na flora e na fauna, e explorar esses recursos de forma racional é fundamental para as gerações futuras melhores alternativas econômicas para o Amazonas.
Marcelo Vasconcelos – Agência Fapeam