Estudantes do PCE realizam trabalho sobre rezadores de Benjamin Constant
30/07/2012 – O processo de perda cultural é recorrente, seja entre os cidadãos de cidades com mais acesso à tecnologia, ou entre aqueles habitantes de cidades interioranas, distante dos grandes polos de desenvolvimento. Em Benjamin Constant (distante 1100 quilômetros de Manaus), um projeto vinculado ao Programa Ciência na Escola (PCE) visa resgatar o trabalho dos rezadores, cidadãos que auxiliam a cura espiritual e física daqueles que procuram e acreditam nessa cultura milenar.
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Muito respeitados e procurados desde o início da colonização, os rezadores de Benjamin Constant hoje vivem isolados e não é tão comum encontrá-los em sociedade. Preocupada com o desaparecimento da cultura local, a professora da Escola Estadual Imaculada Conceição e coordenadora do projeto de pesquisa ‘Quem reza? E pra que reza? Levantamento e mapeamento dos rezadores e rezadeiras em Benjamin Constant – Amazonas’, Elizangela do Nascimento Lopes, mobilizou alunos que se vincularam ao PCE, que recebe incentivos do Governo do Estado, via Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM), com o intuito de resgatar o bem cultural, alertando sobre a importância de manter a cultura viva. O trabalho foi apresentado no Seminário de Avaliação Final do Programa, que ocorreu na semana passada naquele município.
Segundo a coordenadora, os rezadores fazem parte da história da cidade, porém, ao longo do tempo, esses cidadãos estão desaparecendo em razão de não haver seguidores para essa prática. Para ela, o principal indicador desse cenário é o desinteresse das pessoas mais jovens em dar continuidade à essa prática e também por não respeitarem a medicina alternativa, herança dos indígenas que habitavam o município no tempo da colonização.
Mais adiante, a coordenadora apresentou outro indicativo que contribuiu para o lento desaparecimento dessa cultura. “Quando não havia hospital na cidade, as pessoas procuravam os rezadores para solucionar seus problemas mais imediatos como os de doenças, os espirituais e até os emocionais. No entanto, com o aumento do número de médicos, as necessidades tomam novo direcionamento, deixando para trás uma cultura milenar”, completou Lopes.
Método de pesquisa
A coordenadora salientou que durante a pesquisa houve a necessidade do embasamento teórico, sem o qual ficava impossível manter as discussões diárias na escola. Nesse sentido, foi recomendado aos alunos realizar uma consulta literária incluindo os principais autores voltados para essa temática.
O mapeamento dos rezadores no município foi considerado pela professora uma frente de resistências, pois alguns colaboravam respondendo ao questionário, porém outros foram mais resistentes, se recusando a conceder entrevistas. Ao todo, foram cadastradas 60 pessoas que trabalham com essa atividade na cidade que possui 32 mil habitantes.
A fé como processo de cura
Durante as discussões em torno da temática, a professora comentou que a fé das pessoas no processo de cura é de primordial importância, demonstrando que sem ela é impossível a concretização dos pedidos. “É importante acreditar na reza emitida pelo rezador e a necessidade do envolvido faz com que o ‘paciente’ esteja conectado com as orações ditas por ele”, frisou Lopes.
Apoio da FAPEAM
“É importante o apoio da FAPEAM na pesquisa, porque de alguma forma irá despertar no aluno o interesse pela pesquisa cientifica, e isso é a base desse processo que ocorre na Educação Básica para que no futuro esse aluno venha a ser um cientista. A FAPEAM vem contribuindo muito para o desenvolvimento da iniciação cientifica no município”, ressaltou.
Aprendizado contínuo
A estudante Ingrid Larissa, 18, disse que, a participação do projeto força o aluno a aprender cada vez mais, mudando de opinião acerca de conceitos estabelecidos pela sociedade. “Quando realizei a pesquisa, tudo que nos pensávamos a respeito dos rezadores foi desmitificado, pois eles ajudam as pessoas por meio da fé, sem qualquer interesse de algo”, comentou a estudante.
Sobre o PCE
O Programa Ciência na Escola (PCE) consiste em apoiar, com recursos financeiros e bolsas, sob forma de cotas institucionais, estudantes dos ensinos Fundamental e Médio integrados no desenvolvimento de projetos de pesquisas de escolas públicas.
Sebastião Alves – Agência FAPEAM