Estudo financiado pela Fapeam testará células-tronco em cardiopatas isquêmicos

A investigação é inédita no Estado e deve contribuir para o avanço dos estudos do tema no país

Dentro de pouco tempo, pesquisadores da Fundação de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (Hemoam) e do Hospital Francisca Mendes estarão conduzindo pesquisa envolvendo o implante de células-tronco em pacientes que tenham sofrido cardiopatia isquêmica (doença cardíaca ocasionada pelo desequilíbrio entre oferta e demanda de oxigênio no miocárdio, resultando geralmente em obstrução parcial ou total das artérias que suprem o coração). A investigação é inédita no Estado e deve contribuir para o avanço dos estudos do tema no país.

O projeto foi apresentado durante o Seminário de Avaliação do PPSUS (Programa de Pesquisa para o SUS – Gestão Compartilhada em Saúde), realizado na semana passada como resultado de iniciativa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) em parceria com o Ministério da Saúde (MS) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

A finalidade é favorecer por meio de implante de células-tronco a melhoria da qualidade de vida de pessoas que passaram pela triste experiência de sofrer com esse tipo de doença. O processo a ser adotado é semelhante ao cateterismo – exame cardiológico que permite o acesso ao interior do coração por meio de cateter, um tubo colocado por um vaso sangüineo periférico.  Segundo a coordenadora do projeto e pesquisadora na área de Imunologia da Fundação Hemoam e Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Adriana Malheiro, a intenção é melhorar as condições físicas do paciente, reduzindo o cansaço e a fadiga.

O estudo prevê inicialmente a aplicação de células-tronco em 20 pessoas. Elas passarão por avaliação clínica com os médicos pesquisadores do Hospital Francisca Mendes, que irão determinar a viabilidade do implante, sob a orientação do médico cardiologista, Jaime Arnez Maldonado, coordenador-clínico do projeto.

A pesquisa conta com financiamento do CNPq no valor de R$ 225 mil e da Fapeam/PPSUS no valor de R$ 130 mil. A previsão é que até meados deste ano sejam iniciados os primeiros testes. A coordenadora diz que está aguardando apenas a liberação do Conselho Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), vinculada ao Conselho Nacional de Saúde.

Adriana Malheiro esclarece que o julgamento a respeito da liberação de pesquisas com células-tronco em trâmite no Supremo Tribunal Federal (STF) em nada interfere porque se trata de pesquisa com células-tronco hematopoéiticas, obtidas do próprio paciente. “Esse tipo de pesquisa não fere princípios religiosos e nem tão pouco éticos, justamente o foco do julgamento no STF”, afirma.

A pesquisadora destaca ainda que, segundo dados fornecidos pelo Ministério da Saúde, do número de internações atuais em unidades de saúde do Brasil, em torno de 30% são pacientes cardíacos. De acordo com ela, o implante de células-tronco em pacientes cardíacos é de suma importância, uma vez que contribuirá para os avanços nos estudos em terapia celular no Brasil, bem como colocará o Amazonas no mesmo patamar de outros Estados, com pesquisas desenvolvidas nessa área.

Lisângela Costa – Agência Fapeam


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