Estudos indicam a previsão de cheias no Amazonas
12/06/2012 – Estudos desenvolvidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em parceria com o instituto alemão Max Planck de Liminologia conseguiram prever, com erro médio de 38 cm, as cheias de 2006 e 2010, e a maior amplitude entre a cheia e a seca, em 2011, que atingiram o Amazonas. As cheias sucessivas têm preocupado os especialistas que trabalham com o tema porque a Amazônia já está sentindo as influências das mudanças climáticas, conforme Jochen Schongart.
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Com o apoio financeiro do governo do Estado, via Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM), através do Programa de Apoio a Núcleos de Excelência (Pronex), o projeto avalia duas linhas de pesquisa associadas à modelagem para prever as cheias no Amazonas, desde 2005. As previsões são anuais e estão sendo testadas em Óbidos (PA) e Manaus (AM). Estudos também estão sendo desenvolvidos em Mamirauá (AM), na Ilha do Bananal (TO).
De acordo com o pesquisador do Max Planck, a primeira linha de pesquisa envolve informações do Porto de Manaus e do Pacífico Equatorial, onde ocorrem os efeitos La Niña e El Niño, que causam mudanças na circulação atmosférica afetando o regime de chuva e a hidrologia da Bacia Amazônica. “O La Niña causa o aumento da quantidade de chuvas acima da média, como ocorreu esse ano, nas cabeceiras dos rios e se reflete no ciclo hidrológico. O El niño causa as secas. Ele consiste no aquecimento do Oceano Pacífico Equatorial”, explicou Schongart.
Além da La Niña, Schongart disse que utiliza, no modelo desenvolvido para prever as cheias, o índice chamado oscilação sul, o qual mede a diferença na pressão atmosférica entre Darwin, na Austrália, e Taiti, no Pacífico. Ele pontuou que é uma previsão de como será os El niños e La niñas, ou seja, se fracos ou intensos.
“É preciso reconstruir os regimes hidrológicos de séculos passados, pois isso ajuda a entender melhor se as tendências atuais de cheias e secas podem ser observadas em outras épocas, quando os níveis de gases do efeito estufa não estavam tão elevados. Os modelos globais do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês), preveem que os extremos irão aumentar nos próximos 25 e 30 anos. Porém, não podemos descartar as fossas naturais”, salientou.
Histórico do Clima
A segunda linha de pesquisa, conforme Schongart, envolve a reconstrução do clima de quatro séculos atrás por meio da análise de anéis que crescem, anualmente, em árvores localizadas em áreas alagadas (várzea e igapó). Ele informou que as árvores param de crescer quando as áreas ficam alagadas devido à falta de oxigênio nas raízes. Nesse momento há a formação do anel de crescimento no interior do tronco. Na vazante, elas voltam a crescer novamente. Durante as cheias, o crescimento é mínimo. Significa que a largura do anel de crescimento corresponde com a duração da fase alagada.
“O anel funciona como um arquivo das condições climáticas, hidrológicas, em cada ano e como variam anualmente. O crescimento é conforme a duração da fase não alagada. Temos uma biblioteca arbórea disponível para entender o comportamento do clima durante a vida de uma árvore. Como as árvores na Amazônia têm em média 400 e 500 anos, temos um arquivo que registra esses eventos climáticos de 400 anos atrás”, disse Schongart.
Segundo Schongart, o estudo permitiu a reconstrução do regime hidrológico de 200 anos atrás. Ele disse que foi possível comprovar a influência de El niños e La niñas e também indicou que durante 1850 e 1880 tivemos fases frias do Oceano Pacífico, que resultaram em cheias na Amazônia Central. Além disso, o planeta está entrando novamente em uma fase fria, que demora de 20 a 30 anos, e tem influência no ciclo hidrológico da região. “Tivemos uma fase fria de 1947 a 1977. Em 1953 e em anos consecutivos foram registradas cheias até o início da década de 1970. Em seguida, entrou em uma fase quente, que terminou na virada do século.
Luís Mansuêto – Agência FAPEAM