Evento discute manejo de pirarucu
O pirarucu é uma das espécies de maior valor econômico da Amazônia, sendo pescada desde o século XVIII. Sua intensa exploração tem levado a um declínio da produção, e hoje em dia a espécie é considerada rara em algumas regiões e sobre-explorada em outras. Há cerca de cinco anos, o pescador Jorge Carvalho, 40, identificou 50 pirarucus em dois lagos da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) de Mamirauá. Ano passado, quando fez a recontagem, o pescador surpreendeu-se com o crescimento da população, que agora beira quase cinco mil peixes.
O salto populacional é fruto do projeto de manejo desenvolvido por pesquisadores e populações tradicionais na RDS, onde há alguns anos a espécie estava se tornando escassa. A experiência em Mamiruá foi apresentada no Workshop Manejo do Pirarucu, realizado nos dias 8 e 9 deste mês, no auditório da Faculdade de Enfermagem da Universidade Federal do Amazonas (UFAM).
Promovido com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado do Amazonas (FAPEAM), o evento incentivou a troca de experiências entre os conhecimentos tradicional e científico, buscando desenvolver novas técnicas de manejo que possam ser utilizadas pelas comunidades ribeirinhas e usuários do recurso. Segundo Elisabete Vieira, uma das coordenadoras, o Workshop foi importante para o estabelecimento de parcerias institucionais.
Além do projeto desenvolvido na RDS, foram apresentadas pesquisas desenvolvidas pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), UFAM, Secretaria de Produção do Estado (SEPROR) e Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM-PA).
Pesquisadores do projeto desenvolvido em Mamirauá afirmam que alguns dos entraves para o desenvolvimento da piscicultura amazônica devem-se principalmente a lacunas tecnológicas, falta de assistência técnica regular aos criadores, limitações de infra-estrutura e de insumos, e escassez de mão de obra especializada na região. As principais lacunas tecnológicas existentes resultam da falta de informação sobre a biologia e ecologia das espécies nativas.
Algumas dificuldades foram vencidas graças à união entre conhecimento científico e o saber das populações tradicionais da RDS. O técnico de manejo de pesca do projeto, Saíde Barbosa conta que sem a experiência dos pescadores o estudo seria inviável, pois eles detêm um conhecimento empírico fundamental para o sucesso das pesquisas.
O evento estava vinculado a dois projetos financiados pela Fapeam: