Fapeam integra debate internacional sobre ciência plurale colaboração de saberes para a Amazônia
A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) participou, nesta quarta-feira (17/6), do webinar de lançamento do Policy Brief – Colaboração entre conhecimentos para uma ciência com excelência e impacto: diálogo internacional e o fortalecimento de uma ciência plural. O documento é resultado do evento “Conectando saberes para a ciência com impacto na Amazônia: diálogo nórdico-brasileiro rumo à COP30 e além” e está disponível em três idiomas: inglês, português e nheengatu.
O webinar integra o diálogo de pesquisa nórdico-brasileiro sobre a Amazônia, iniciado durante um pré-evento científico da COP30, realizado em Manaus, em outubro de 2025. Essa iniciativa reuniu pesquisadores e representantes de agências de fomento do Brasil e da União Europeia com o objetivo de fortalecer a cooperação científica responsável e inclusiva, promovendo a cocriação de conhecimento entre diferentes áreas de pesquisa e atores locais, como povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais.

Durante o encontro, foi apresentado e debatido o Policy Brief, principal resultado do diálogo internacional. O documento reúne aprendizados e reflexões de pesquisadores acadêmicos e não acadêmicos, lideranças indígenas, representantes de agências de fomento e do poder público. Entre as recomendações, o texto propõe uma revisão do modelo tradicional de produção científica e de financiamento à pesquisa, defendendo uma ciência mais plural, integrada e construída de forma colaborativa entre diferentes sistemas de conhecimento.
Na oportunidade, a diretora-presidente da Fapeam, Márcia Perales Mendes Silva, ressaltou que o encontro representa a continuidade das discussões iniciadas no workshop realizado há sete meses. O processo permitiu aproximar pesquisadores, gestores públicos e comunidades tradicionais na construção de diretrizes voltadas ao fortalecimento de políticas públicas, reconhecendo a importância dos diferentes saberes e da participação de todos na produção do conhecimento científico.
“Foi um momento extremamente importante porque ampliou as discussões para além das vivências dos pesquisadores e nos permitiu pensar em novos caminhos para a construção de políticas públicas ancoradas em outros pressupostos, valorizando diferentes formas de conhecimento. Sete meses depois daquele encontro, chegamos a este momento com a possibilidade de apresentar diretrizes que servirão de balizamento para a formulação de políticas públicas”, afirmou.
Um dos autores do Policy Brief, Francisco Apuriña, do Instituto Pupykary e da Universidade de Helsinki, destacou que o documento é resultado de um processo de construção coletiva entre diferentes formas de conhecimento. O diálogo entre a ciência acadêmica e os saberes tradicionais foi um dos principais avanços do encontro e deve continuar orientando futuras iniciativas de pesquisa e formulação de políticas públicas.
“O documento é fruto de uma construção conjunta e mostra que as ciências precisam estar sempre em diálogo. O evento permitiu que outras epistemologias participassem desse processo, demonstrando que esses conhecimentos não precisam ser dicotômicos, mas complementares. Meu sonho é que essas diferentes formas de produzir conhecimento continuem caminhando juntas”, enfatizou.
Ao apresentar o processo de elaboração do Policy Brief, a pesquisadora Gabriela Zuquim, do IT Centre of Science (CSC), da Finlândia, explicou que o documento foi construído por meio de uma metodologia colaborativa, envolvendo dezenas de participantes, onde o objetivo foi garantir que diferentes perspectivas fossem consideradas na formulação das recomendações.

“O Policy Brief é resultado de muitas horas de discussão envolvendo mais de 80 participantes. Adotamos uma metodologia colaborativa, com grupos de trabalho, facilitadores, momentos de síntese e debates em plenária, para garantir que todas as vozes fossem ouvidas com transparência. Uma das principais mensagens do documento é que a diversidade de conhecimentos precisa ser valorizada. A partir desse processo, elaboramos recomendações gerais e específicas, entre elas o fortalecimento da colaboração internacional entre instituições de pesquisa da Amazônia e de outros países”, reforçou.
O secretário executivo da Iniciativa Amazônia+10 da Iniciativa Amazônia+10 a Iniciativa Amazônia+10, Rafael Andery, destacou que a cooperação entre instituições de pesquisa, agências de fomento e comunidades tradicionais é essencial para fortalecer a produção científica na região. A iniciativa tem como foco ampliar os investimentos em pesquisa, valorizar o protagonismo dos pesquisadores amazônidas e integrar diferentes sistemas de conhecimento para gerar impactos concretos na Amazônia.
O encontro também reuniu pesquisadores e representantes de agências de fomento do Brasil e de outros países, entre eles Maiju Gyran, do Conselho de Pesquisa da Finlândia, e Karine Kålsås, conselheira sênior do Conselho de Pesquisa da Noruega, reforçando a cooperação internacional e o diálogo em torno da produção científica voltada para a Amazônia.
Por: Diovana Rodrigues (Decon/Fapeam)
Fotos: Divulgação