Fibras de esponjas podem ser utilizadas em assentos de motos

07/11/2011 A utilização de esponjas de fibras naturais da Amazônia substituindo as fibras sintéticas (à base de poliuretano) na produção de assentos de motos tem se mostrado uma alternativa para a preservação do meio ambiente, pois são de fontes renováveis, biodegradáveis e de baixo custo. Foi o que afirmou o mestre em Ciências de Florestas Tropicais pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Michell Richard Blind.

Blind explicou que as fibras vegetais possuem menor densidade e provocam menor desgaste do que as sintéticas nos equipamentos convencionais de processamento de polímeros (compostos químicos). Ele disse que as fibras vegetais como sisal, rami, juta, malva, curauá e fibra de coco podem substituir as sintéticas.

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“A fibra de sisal se destaca, em termos de qualidade e de aplicação comercial, por possuir um dos maiores valores de módulo de elasticidade. Estudos recentes demonstram que o sisal pode ser utilizado como reforço para polímeros comerciais, tais como o polietileno e a borracha natural”, pontuou.

src=https://www.fapeam.am.gov.br/arquivos/imagens/imgeditor/esp2.jpgEntre os benefícios das fibras está a capacidade de absorver a umidade da transpiração humana, o que proporciona conforto para motoristas profissionais de táxi, ônibus e caminhões, que ficam longos períodos de tempo sentados. Contudo, a partir da década de 1960, as fibras vegetais foram substituídas gradativamente pelas espumas de poliuretano. Blind afirmou que as espumas à base de isocianato liberam o gás cianídrico durante a combustão, que é altamente tóxico ao meio ambiente e aos seres humanos.

No Amazonas, a previsão é de que o Polo Industrial de Manaus (PIM) produza 3 milhões de motos por ano até 2013, conforme Blind. O número não contempla o mercado mundial. “A proposta é de que durante a produção dos assentos das motos, parte da matéria-prima seja composta de esponjas de fibras naturais. O problema é a resistência de algumas indústrias e a falta de matéria-prima suficiente para atender à demanda”, lamentou.

No caso das esponjas de fibras naturais amazônicas, faltam pesquisas sobre a densidade e a durabilidade, além das condições de cultivo e tratamento pós-cultivo (químico e/ou físico) nas propriedades das fibras, como há com outras fibras. Entre os testes, estão: tração, flexão, impacto, compressão e análise térmica. Com as informações, é possível fornecer uma manta em função do tempo e da temperatura de uso para avaliar a durabilidade. O objetivo é obter fibras que resultem em mantas aglomeradas de melhor desempenho para aplicação na substituição parcial de poliuretano dos assentos das motos.

Produção

Hoje, a produção de esponjas naturais tem como destino a higiene pessoal. O mercado de produtos para cuidados faciais, por exemplo, gira em torno de R$ 600 milhões ao ano, conforme a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, em 2009. No Brasil, o Estado de Minas Gerais (MG) aparece como o maior polo produtor de esponjas naturais, na região do triângulo mineiro. Todavia, a produção ocorre apenas nos seis primeiros meses do ano, devido ao período de friagem. O resultado é um produto de baixa qualidade no restante do ano.

No Amazonas, a empresa Natus Esponjas da Amazônia e pequenos produtores do município de Presidente Figueiredo (distante a 110 quilômetros da capital) abastecem o mercado de Manaus com esponjas de fibras naturais. Devido ao clima quente da região, é possível produzir buchas o ano todo e com preço e qualidade compatíveis com os produtores mineiros.

O preço do produto comercializado em Manaus varia conforme a utilidade e o beneficiamento. As esponjas faciais são vendidas a R$ 1,80. São produtos que passaram por melhoramento genético. As esponjas multiuso são comercializadas a R$ 2,20, enquanto os bastões de uso dorsal são vendidos a R$ 10, por terem cabos de madeira acoplados nas extremidades para lavar as costas.

“Em Presidente Figueiredo, a Natus Esponjas possui um plantio de um hectare, o que não é suficiente para atender à demanda das empresas do PIM. A saída seria investir no tamanho da área destinada ao plantio, mas esbarra na falta de investimentos”, lamentou Blind, sócio-proprietário da Natus Esponjas.

Segundo Blind, o trabalho com esponjas iniciou com o avô, em 1998, em Rondônia e, em 2005 iniciou o cultivo para higiene pessoal. A Natu Esponjas fornece esponjas para empresas de cosméticos, como Harmonia Nativa, Empório e Aroma e Nauá Essências. Ele informou que de acordo com o Conselho Federal de Farmácia (CFF), no Brasil existem mais de 60 mil farmácias e drogarias. Estima-se que mais de 80% destas não comercializem esponjas vegetais por falta de oferta.

“A meta da empresa é alcançar o fornecimento de mantas para assentos em torno de 1% das unidades de motos produzidas no PIM, substituindo em 50% o poliuretano utilizado em cada assento”, finalizou.

Luís Mansuêto – Agência FAPEAM

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