Gravidez e parto na adolescência despertam atenção da ciência
Natal(RN) 29/07/2010 – A pesquisa de iniciação científica indica que 88% dos partos ocorridos em Tefé (AM), município localizado a 575 km de Manaus em linha reta, são feitos em mulheres na faixa etária entre 10 a 30 anos de idade. O levantamento, realizado no período de três anos, identificou também que 79% são solteiras e parte dessas tem poucos anos de escolaridade.
Os resultados do trabalho intitulado “Maternidade adolescente no Médio Solimões”, realizado pela bolsista do Programa de Apoio à Iniciação Científica do Amazonas (Paic) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas(FAPEAM), Maria Creusiane Moraes, foram apresentados, nesta quinta-feira, 29/07, durante a sessão de pôsteres da 62ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).
Com a orientação da doutora em Sociologia, Maria de Fátima Ferreira, o objetivo do trabalho foi estudar a gravidez e o parto na adolescência, focando as desigualdades de gênero, saúde e direitos, no município de Tefé, no Médio Solimões.
Ferreira disse que foram verificados 5.420 partos realizados no Hospital Municipal de Tefé, dos quais 85% foram partos naturais. “Esses dados são totalmente opostos ao resto do país, onde o parto cesáreo é dominante”, frisou.
A professora explicou que, durante o estudo, foi aplicada uma pesquisa qualitativa e quantitativa, sendo tabulados dados como idade de mães adolescentes, raça/cor, escolaridade, estado civil, tipo de parto, ocorrência do parto, pré-natal e nascimento por sexo.
“Ao aproximar o foco das mulheres envolvidas nessas relações, escolhemos histórias de três gerações de mulheres. Encontramos dados de gravidez e vida sexual precoce, chegando a 12 anos de idade, baixa escolaridade e dificuldades para encontrar emprego”, explicou.
Segundo Ferreira, a intenção dessa pesquisa é contribuir para a formulação de políticas públicas de saúde. Além disso, a pesquisa proporcionou um salto na formação acadêmica da bolsista Maria Creusiane. “A proposta dessa pesquisa exploratória é criar novas hipóteses e retrabalhá-las, ampliando o estudo de relevância social”, destacou a professora.
Cristiane Barbosa – Agência Fapeam