Manejo ajuda na manutenção da floresta amazônica

“O manejo florestal praticado de acordo com a legislação vigente é uma poderosa arma para proteger a floresta viva e em pé”. Essa afirmação do cientista Niro Higuchi, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), demonstra a importância de assegurar todas as funções da floresta na manutenção do equilíbrio do meio ambiente, por exemplo, entre a biosfera e atmosfera.

Doutor em Engenharia Florestal, ele disse que é importante não perder de vista que, dentre as várias funções da floresta, a principal é a proteção às outras formas de vida, inclusive a do ser humano. Higuchi salientou que as pessoas precisam estar conscientes desse processo e a disseminação de informações ajuda. “Já realizamos vários treinamentos, como cursos de Manejo Florestal para estudantes de engenharia florestal de várias partes do Brasil, para professores de ensino médio da rede pública do Amazonas e também para técnicos colombianos”, afirmou./

Hoje, Higuchi coordena o Instituto Nacional Ciência e Tecnologia de Madeiras da Amazônia (INCT), que tem como objetivos o desenvolvimento e execução de estudos de manejo florestal e aproveitamento por meio de processos industriais de madeira e de resíduos, e a associação do manejo à tecnologia de processamento. Espera-se, ao final do projeto, resolver uma questão crucial: o baixo rendimento das indústrias madeireiras da Amazônia.

Com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM), por meio do Programa de Apoio a Núcleos de Excelência em Ciência e Tecnologia (PRONEX), o INCT objetiva consolidar o grupo de pesquisa em manejo florestal coordenado por Higuchi, que existe desde a década de 1980, em Manaus. A iniciativa envolve pesquisadores de várias instituições, como o Centro de Energia Nuclear para a Agricultura (CENA-USP) e a Universidade Federal do Paraná (UFPA).

Durante os trabalhos de campo, o cientista disse que foi descoberta uma árvore no pátio de uma serraria do Amazonas com 1.480 anos. “Por meio de análises, verificamos que o crescimento da árvore tem correlação positiva com a precipitação (chuvas), nos últimos 25 anos. Isto é, a floresta primária tem funcionado como sumidouro de carbono”, destacou.

Segundo ele, a importância do manejo florestal correto não se limita apenas à Amazônia. O agronegócio de outras regiões do Brasil começa a perceber o papel da floresta amazônica no ciclo hidrológico. “Destruir a floresta pode significar alterações consideráveis no regime de chuvas no Centro-Oeste, Sudeste e Sul do país”, apontou o cientista.

Manejo Florestal Sustentável (MFS)

/MFS é uma parte da ciência que trata do conjunto de princípios, técnicas e normas, visando planejar, organizar e ordenar ações necessárias para produzir e controlar com produtividade e eficiência. Está inserido no curso de Engenharia Florestal.

Nas universidades, MFS é abordado sob um conjunto de disciplinas como: (1) Dendrometria – medições, estatística e alometria; (2) Inventário – estimativas (área basal, volume e biomassa), análise estrutural e tabelas de sortimento; (3) Exploração florestal – ergonomia, derrubada orientada, arraste e transporte; entre outras.

Regulamentação

No Brasil, a prática de manejo florestal na Amazônia foi regulamentada como MFS pelo Decreto nº 1.282, de 19 de outubro de 1994, em seu parágrafo 2º do Artigo 1º (Capítulo I). Legalmente, MFS é a administração da floresta para a obtenção de benefícios econômicos e sociais, respeitando-se os mecanismos de sustentação do ecossistema, objeto do manejo. Posteriormente, este Decreto foi substituído pelos Decretos 2.788 de 28/09/98 e 5.975 de 30/11/06.

De acordo com a intensidade de exploração florestal, a instrução normativa (IN) nº 5 de 11/12/06 o classifica em duas categorias: “pleno”, que permite exploração de até 30 m3/ha, com ciclo de corte inicial de 35 anos e o de “baixa intensidade”, que permite exploração de até 10 m3/ha, com ciclo de corte inicial de 10 anos.

Carlos Fábio Guimarães – Agência Fapeam

Foto1: Ricardo Oliveira
Foto2: Giovanna Consentini

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