Pesquisa aponta que informação adequada pode ajudar a evitar dengue
02/08/2012 – O contato direto com as práticas e atitudes das pessoas quanto ao conhecimento sobre a dengue, uma doença que todos os anos preocupa as autoridades, motivou a estudante do curso de Medicina da Universidade Nilton Lins (UniNiltonLins), Priscilla Aparecida Soiér, a desenvolver a pesquisa ‘Dengue no município de Manaus, capital do Amazonas: Aspectos epidemiológicos, conhecimento e atitudes das populações’.
Sob a orientação do médico Infectologista, doutor Marcelo Cordeiro dos Santos, a acadêmica descobriu, por meio da pesquisa, que 94% dos entrevistados têm conhecimento sobre a doença, mas não sabem como tratá-la. Outro dado aponta que um percentual inferior a 40% conhece os sintomas da doença dengue ou a forma de transmissão. Estes resultados levaram a acadêmica a crer que há um desvio de informação quanto à divulgação sobre a doença junto à população.
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De acordo com a estudante, que foi bolsista do Programa de Apoio à Iniciação Científica do Amazonas (Paic/FAPEAM), a ausência de estratégias de abordagem mais eficazes informando a população sobre os cuidados que a pessoa deve tomar quando aos primeiros sintomas aparece como um indicativo dessa desinformação.
“Apesar dos esforços, quanto à divulgação que é realizada na mídia ou até mesmo em folders explicativos, não se tem o entendimento simplificado sobre a doença. O que vemos, na maioria dos casos, são materiais com linguagem rebuscada e incompreensível, principalmente para quem tem baixa escolaridade”, destacou.
Ainda segundo a estudante, durante as abordagens foram distribuídos folders explicativos elaborados com conteúdo simples e escritos com uma ‘linguagem popular’ para que houvesse esse entendimento. Mas, apesar disso, mesmo com um instrumento simplificado, houve pessoas que ainda tiveram dúvidas sobre os sintomas e tratamento da dengue.
“A prática de higiene quanto à colocação do lixo no lugar adequado é quase inexistente no bairro Alvorada, zona oeste de Manaus, e o conceito atribuído pelos moradores de que lixo é somente o residual doméstico e não o que é jogado na rua também chamou a atenção”, revelou Soiér.
Método
Segundo a acadêmica, a pesquisa foi desenvolvida em duas etapas: a primeira, chamada retrospectiva, analisou os casos de dengue durante o período de 1998 a 2011, e deu ênfase a itens como faixa etária, escolaridade, dentre outros. A segunda, denominada prospectiva, teve como ferramenta um questionário dividido com questões sobre saneamento básico e informações gerais (nível de escolaridade, idade, conhecimento gerais sobre a doença, dentre outros questionamentos).
Para a pesquisadora, a ciência deve cumprir o seu papel, informando as pessoas sobre determinadas patologias. “A minha pesquisa contribuiu para repensar as formas da ciência se aproximar da população, esclarecendo sobre os riscos da doença e, consequentemente, promover saúde, principalmente entre a população carente”, enfatizou a acadêmica.
Apoio da FAPEAM
Os resultados da pesquisa foram apresentados no final de julho durante o 2º Congresso de Iniciação Científica da Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD) realizado em Manaus. Além de ter apoiado a realização do evento a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM) contribuiu com as bolsas para os mais de 40 estudantes que desenvolveram pesquisas na FMT-HVD, por meio do Paic.
“O fato de conhecer outras realidades é importante para que o pesquisador amplie seu conhecimento, assim como também, possibilita o contato com situações de vida quase que impossíveis de acreditar. Vivenciamos realidades completamente diferentes da nossa. Com o apoio da FAPEAM é possível conhecer mundos diferentes”, finalizou.
Sobre o Paic
O Programa de Apoio à Iniciação Científica do Amazonas (Paic) consiste em apoiar, com recursos financeiros e bolsas institucionais, estudantes de graduação interessados no desenvolvimento de pesquisa em instituições públicas e privadas do Amazonas.
Sebastião Alves – Agência FAPEAM