Pesquisa pretende identificar o perfil celular de doadores de sangue em Manaus
09/08/2011 – Conhecer o perfil de doadores de sangue com sorologia reativa ao vírus da hepatite B em Manaus é a proposta da pesquisa ‘Avaliação do perfil celular, humoral e molecular em doadores de sangue com sorologia reativa ao vírus da hepatite B (HBV) na cidade de Manaus’ apresentada recentemente no âmbito do Programa de Apoio à Iniciação Científica (Paic/ Hemoam), financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM).
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A acadêmica, Andrieli Mendonça, do curso de Biomedicina da Faculdade Literatus, orientada pela professora mestre em doenças tropicais, Laura Maia, fez uma análise em 79 doadores da Fundação Hospitalar de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (Hemoam), no período de agosto de 2010 até julho de 2011, para avaliar a soroprevalência de doadores de sangue com sorologia reativa ao vírus da hepatite B, através dos marcadores HBsAg (que indica que a pessoa está com a doença) e/ou anti-HBc (anticorpo que combate a doença) e analisar o perfil celular dos linfócitos T CD3+/CD4+ e CD3+/CD8+. “Nós queríamos verificar a subpopulação de leucócitos ativados através do marcador CD69+ (Linfócitos, neutrófilos e Monócitos) e foi percebido que permaneceu os enfoques de CD4 de forma mais significantes”, explicou Mendonça.
Homens estão mais vulneráveis ao vírus
De acordo com os resultados, 77% dos casos positivos foram de homens e 36% de mulheres. A pesquisadora explica que isso se deve ao fato dos homens não terem a mesma preocupação de cuidados com a saúde que as mulheres, que fazem exames preventivos periodicamente. “O homem, ele não tem aquela preocupação, aquele cuidado de estar indo ao médico para fazer exames de rotina, isso seria um dos fatores que deixa os homens mais expostos ao vírus”, lembrou Mendonça.
Dados do Hemoam e resultado da pesquisa
Desde janeiro até junho de 2011, foram coletadas cerca 24,2 mil doações de sangue, destas, 578 apresentaram reações positivas, ou seja, indicaram que em algum momento da vida aquele indivíduo teve um contato prévio com o vírus da hepatite B e 55 apresentaram reatividade ao marcador HBsAg do vírus, ou seja, indicaram que os indivíduos estão infectados pelo vírus da hepatite B.
Ainda de acordo com a pesquisa, só na Região Amazônica de 5% a 15% dos habitantes são portadores do HBV (vírus da hepatite B), daí a importância da compreensão da resposta imunológica nos doadores de sangue que são assintomáticos, ou seja, apresentam sorologia reativa ao vírus. Segundo Mendonça, a análise do perfil celular ajudará a entender os mecanismos desenvolvidos pelo organismo para combater o vírus.
Foi observado nos resultados, além do predomínio de doadores do sexo masculino e também de primo doadores infectados com HBV, maior quantidade de linfócitos T CD4+ em amostras de doadores de sangue com sorologia reativa ao HBV, sugerindo que nessa fase da infecção ocorre uma resposta que auxilia no desenvolvimento de uma crônica.
Com a conclusão do trabalho foi um possível elaborar um diagnóstico e entender como é que esse doador está lidando e/ou respondendo a esse vírus. “O principal indicador é quando esse doador está com a imunidade baixa, é um sinal de que ele não está respondendo, ou não está conseguindo se defender ao ataque do vírus” ressaltou a pesquisadora.
Avaliação de especialista
Na opinião do doutor em microbiologia e pesquisador da Fiocruz, Felipe Naveca, avaliador dos trabalhos do Paic/HEMOAM, houve uma crescente melhora no nível de produção dos projetos apresentados e isso mostra o amadurecimento e a importância do programa para a formação dos novos profissionais e pesquisadores. “Numa instituição como o Hemoam, é importante que você tenha projetos que tenham aplicação, ou seja, retorno para o paciente que é usuário da Fundação”, enfatizou Naveca.
Pesquisa indica dados mundiais de hepatite
Segundo a pesquisa apresentada pela estudante, um milhão de pessoas ao redor do mundo morre, anualmente, em consequência de doença hepática crônica B, o vírus da hepatite B. Dados mostram que 2 bilhões de pessoas estão infectadas, sendo que 350 milhões destas pessoas, sofrem de cirrose e carcinoma hepatocelular. No Brasil, o centro do problema está localizado na Região Amazônica, considerada pelos estudiosos como uma área endêmica.
Redação: Valdir Torres
Edição: Carlos Fábio Guimarães – Agência FAPEAM