Pesquisadores discutem Terra Preta de Índio em eventos internacionais
10/07/2012 – No decorrer desta semana até o dia de 13 de julho, em Manaus (AM), acontecem dois eventos internacionais sobre as pesquisas com Terra Preta de Índio, solos altamente férteis encontrados na Amazônia e que são alvo de interesse para diversas pesquisas voltadas para a temática da sustentabilidade na agricultura.
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Um dos aspectos de interesse sobre as terras pretas é por serem consideradas um dos solos mais férteis do mundo. As pesquisas realizadas atestam que esses solos apresentam grande disponibilidade de nutrientes como cálcio, magnésio, zinco, manganês, fósforo e carbono e, além disso, conservam sua fertilidade e resiliência por longo tempo, uma vez que sua origem está relacionada à ação humana de povos indígenas ancestrais pré-colombianos, e mesmo onde foram utilizadas ao longo do tempo não perderam sua fertilidade.
Os eventos sobre Terra Preta de Índio que ocorrem em Manaus nesta semana são realizados em parceria com a Wageningen University (Holanda), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, por meio das Unidades Embrapa Amazônia Ocidental e Embrapa Solos, e Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).
Simpósio é aberto ao público
Na quarta-feira, 11 de julho, será realizado o ‘Simpósio Terra Preta de Índio’ aberto a pesquisadores, estudantes e demais interessados no tema. O objetivo do simpósio é apresentar conhecimentos sobre o passado, o presente e o futuro das pesquisas sobre terra preta. O simpósio será realizado no auditório da Ciência, no Bosque da Ciência, Campus I do Inpa (Avenida André Araújo, Aleixo), das 8h30 às 18h.
Na programação do simpósio estão previstas 11 palestras, agrupadas em três tópicos: Conversas sobre o Passado, Conversas sobre o presente e Conversas sobre o futuro. Na abordagem sobre o passado, estão previstas as seguintes palestras: ‘O programa Terra Preta e reflexões sobre a relação entre terra preta e biocarvão’, pelo Dr. Thom Kuyper, Universidade de Wageningen); ‘Paisagens domesticadas na Amazônia: características topográficas, uso do espaço e a formação de solos antrópicos (terra preta) em assentamentos pré-históricos’, pelo Dr. Morgan Schmidt, Museu Paraense Emilio Goeldi; ‘Como as Terras Pretas podem ter sido formadas a partir da ocupação humana pretérita’, Dra. Dirse Kern, do Museu Paraense Emílio Goeldi; e ‘Terra Preta na Amazônia: uma perspectiva histórica sobre as Terras Pretas de Índio na Amazônia Central’, pela Dra. Helena Lima, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).
Na abordagem sobre o presente, constam as seguintes palestras: ‘Terra Preta de Índio na África’, pelo Dr. James Fraser da Universidade Javeriana (Colombia) e University of Sussex (Inglaterra); ‘Efeitos da Terra Preta de Índio na composição, abundância e distribuição de samambaias, ervas e palmeiras de sub-bosque de uma floresta amazônica na Bolívia’, por Estela Quintero, doutoranda da Universidade de Wageningen e do Instituto Boliviano de Investigacion Forestal; ‘A Microbiota de terra preta e seu carvão vegetal’, Dra. Siu Miu Tsai, da Universidade de São Paulo (USP); e ‘As dimensões políticas entre terra preta e biochar – atores, interesses e estratégias’, por Joana Bezerra (Unicamp/Fundação Getulio Vargas).
Nas conversas sobre o futuro, serão apresentadas as palestras: ‘Biocarvão como um fator chave para a criação de Terra Preta Nova’, pelo Dr. Newton Falcão (Inpa); ‘Nanoestruturas de carbono da Terra Preta de Índio’, por Dr. Carlos Alberto Achete (Inmetro); e ‘Receitas’ não estão criando Terra Preta: o que está faltando?’, pelo Dr. Wenceslau Teixeira (Embrapa Solos).
Workshop Internacional do Programa Terra Preta
Nos dias 9, 10, 12 e 13 serão realizadas atividades do 2º Workshop Internacional do Programa Terra Preta, a fim de compartilhar os progressos realizados, tanto pelo programa quanto por pesquisadores que realizam pesquisas de doutorado sobre o tema. Parte da programação do workshop acontece no auditório da Biblioteca, Campus I do Inpa (Aleixo) e em trabalhos de campo onde são encontrados os solos de terra preta em sítios arqueológicos, como no campo experimental da Embrapa, no Caldeirão, e na localidade Costa do Laranjal, ambos áreas rurais do município de Iranduba (AM). A programação do workshop é restrita a pesquisadores das diversas instituições ligadas ao programa internacional Terra Preta, que têm a participação de pesquisadores da Universidade de Wageningen, da Holanda, e de diversos pesquisadores de instituições do Brasil, Bolívia e Colômbia.
Os grupos de pesquisa com a terra preta da Embrapa Amazônia Ocidental (Manaus), Embrapa Solos (Rio de Janeiro) e do Inpa estão colaborando com o programa de pós-graduação em terra preta da Universidade de Wageningen, Holanda, bem como com a rede nacional e internacional dessas pesquisas.
O programa Terra Preta é um programa internacional e interdisciplinar da Universidade de Wageningen, Holanda, com foco em solos com alta fertilidade encontrados na bacia amazônica. O programa Terra Preta combina uma estrutura interdisciplinar que liga as ciências naturais e sociais com uma abordagem comparativa, trabalhando em vários países (Bolívia, Brasil e Colômbia) que diferem em condições ambientais e aspectos sociais. O objetivo geral do programa Terra Preta é contribuir para a melhoria da subsistência de agricultores que vivem na Amazônia, através de informações sobre o uso sustentável, conservação da Terra Preta e a criação de solos semelhantes. O programa conta com a participação de diversas instituições de pesquisa do Brasil, Colômbia e Bolívia. No total, o programa envolve 40 pesquisadores, oito alunos de doutorado e um de pós-doutorado
Pesquisa
Na Embrapa, atualmente, é desenvolvido o projeto ‘As Terras Pretas de Índio da Amazônia: o entendimento de sua formação e evolução’, com o objetivo de criar um modelo de formação e evolução desses solos focando os estoques e a dinâmica do carbono, fósforo e cálcio.
Este projeto é nacional e tem a liderança da Embrapa Amazônia Ocidental (Manaus-AM) e a parceria de outras unidades da Embrapa (Embrapa Solos , Embrapa Acre, Embrapa Amazônia Oriental, Embrapa Rondônia, Embrapa Amapá, Embrapa Florestas) além das seguintes instituições: Universidade do Estado do Amazonas, Universidade Federal do Amazonas, Serviço Geológico do Brasil (RJ e AM), Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (MAE-USP), Museu Paraense Emílio Goeldi, Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq – USP), Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena-USP), Universidade Federal do Pará, Universidade Federal de Santa Catarina e Universidade de Wageningen (Holanda).
De acordo com o pesquisador da Embrapa Amazônia Ocidental, Orlando Paulino, que coordena esse projeto, a partir dessas pesquisas pretende-se se inspirar no modelo das Terras Pretas de Índio para reproduzir semelhante fertilidade em outras áreas e poder contribuir para melhorar os solos para a agricultura. Este projeto integra o Macroprograma 2 da Embrapa, para projetos relacionados ao ‘Efeito das Mudanças Climáticas Globais nos Sistemas Produtivos, Sequestro de Carbono e Emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE)’.
Fonte: Ascom Embrapa Amazônia Ocidental