Presidente do Confap fala sobre a substituição de ministros na área de C&T

20/01/2012 – Na última quarta-feira (18) a presidente da república, Dilma Rousseff, anunciou a indicação do atual presidente da Agência Nacional Espacial Brasileira (AEB/MCTI), Marco Antônio Raupp, para ocupar o cargo de ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, substituindo o atual ministro de CT&I, Aloizio Mercadante, que ficará responsável pelo Ministério da Educação. 

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Sobre o assunto, Mario Neto Borges, presidente do Conselho Nacional das Fundações de Amparo à Pesquisa (Confap) e da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig), fala sobre as suas expectativas em relação à gestão do novo ministro, Antônio Raupp, frente ao crescimento do setor da ciência e tecnologia no Brasil.

Como o senhor avalia a indicação do novo ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antônio Raupp?

MN: Avalio muito positivamente. O Prof. Raupp é um cientista que tem uma trajetória sólida e de sucesso no cenário nacional com passagens por diversas instituições acadêmicas e empresariais. Essa é uma bagagem importante para o cargo que passa a ocupar como ministro de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação. Pessoalmente é uma personalidade de fácil trato. 

Aloizio Mercadante e Antônio Raupp possuem perfis distintos. O atual ministro, Mercadante, tem uma característica mais política, já Antônio Raupp, há 40 anos na área de Ciência e Tecnologia, possui um perfil estritamente técnico. Como o senhor avalia essa mudança de postura?

MN: Realmente os perfis são bem distintos. O ministro Mercadante, que muda de pasta do MCTI para o MEC, é um político tradicional com grande experiência legislativa no Congresso Nacional, o que também é um importante trunfo no cargo que ocupa. Ele certamente vai se beneficiar dessa formação na sua atuação no MEC. No entanto, acho que acertou a presidente Dilma ao escolher um cientista de formação para o MCTI onde, diferentemente do MEC, os temas, programas e prioridades requerem – mais do que em qualquer outro ministério – uma experiência acadêmica e científica. O Prof. Raupp reúne esses requisitos que certamente serão importantes para o sucesso de sua gestão.

O senhor considera a educação um dos principais pilares para a Ciência e Tecnologia no Brasil. Sendo assim, o senhor acredita na possibilidade de alguma forma de parceria entre os dois ministros, Aloizio Mercadante e Antônio Raupp?

MN: Sem dúvida! Os pilares Educação e CT&I são os grandes sustentáculos do desenvolvimento e da cultura de qualquer país. No caso atual dessas escolhas para o MCTI e para o MEC temos a expectativa de que os dois ministérios possam andar juntos e integrados até porque as agências CNPq e Capes, uma de cada ministério, têm uma tarefa conjunta importante que é o Programa Ciência sem Fronteiras. Vale ressaltar que ambas possuem grande articulação com as FAPs.

Com a indicação do novo ministro, como fica a expectativa do senhor em relação ao Novo Código da Ciência e Tecnologia?

MN: Cresce muito a expectativa da aprovação, mais rápida, do Código da CT&I. Isso pelo fato de que o Prof. Raupp foi presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que é uma das signatárias da proposta que protocolamos no Congresso Nacional, e  certamente irá se empenhar na sua aprovação e terá fortes argumentos para convencer a presidente Dilma no sentido de orientar a base aliada pela priorização e pela aprovação. Esta aprovação e a sanção imediata pela presidente já representará um resultado importante do início de sua gestão.

A boa relação que o senhor mantém com o novo ministro facilitará na atuação do CONFAP como órgão político e estratégico para o setor da Ciência e Tecnologia no país?

MN: O Prof. Raupp é bastante conhecido no meio acadêmico. Tivemos uma convivência mais próxima durante o processo de concepção e execução da 4ª Conferência Nacional de CT&I, ele como presidente da SBPC e eu como presidente do CONFAP. Fomos também, até ele assumir a Agência Espacial Brasileira (AEB), colegas membros do Conselho de Administração do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE). Especialmente construímos uma amizade mais forte a partir da ida dele à Fapemig em 2010. Participamos juntos de vários eventos da SBPC. O fato de termos tido essa convivência e dividirmos pensamentos e interesses comuns certamente facilitará muito nossa relação e aumentará a participação das FAPs junto ao MCTI – condição que hoje já é muito forte.

Fonte: Confap

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