Projeto resgata consciência africana em estudantes do Ensino Médio

19/01/2012 – Um projeto de pesquisa realizado numa escola pública de Manaus está conseguindo mobilizar alunos e a comunidade para a questão da inclusão da cultura africana em definitivo no currículo escolar. A responsável por este feito é a professora de Língua Portuguesa, Sideny Pereira de Paula.

 

A professora e coordenadora do projeto desenvolveu juntamente com os alunos da Escola Estadual São Luiz de Gonzaga, o projeto ‘África das minhas raízes’, elaborado dentro do Programa Ciência na Escola (PCE), via Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM).

 

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“A história e a cultura do povo africano fazem, efetivamente, parte da história do Brasil, tal como a história dos nossos indígenas e a dos colonizadores europeus, esta última sempre privilegiada pela escola brasileira. Então, conhecer nossas heranças, a origem dos nossos costumes e as tradições é uma forma de nos conhecermos e sabermos quem somos e de onde viemos”, afirmoue Paula.

 

Consciência

 

src=https://www.fapeam.am.gov.br/arquivos/imagens/imgeditor/aff1.jpgHá alguns anos ser negro ou ser encarado como negro no Brasil passava uma conotação bem diferente da que percebemos nos dias de hoje, no qual se apregoam os direitos dos afrodescendentes garantidos em constituição. Porém, segundo a pesquisa, esses direitos de fato, não são respeitados como deveriam ou menos ainda colocados em prática, salvo no que se refere aos “negros ricos ou famosos”.

 

Para a professora, é importante que os alunos conheçam a sua história e sua origem para valorizarem a cultura dos povos que, unidos, formaram a etnia brasileira e ajudaram a construir nossa literatura, poesia, arte, dança, música e idioma.

 

“Os alunos precisam conhecer, respeitar e ter orgulho de nossa cultura e conhecer melhor a contribuição africana, para valorizar a importância desta na formação dos brasileiros, contribuição esta que é vasta e se estende para as diversas formas de expressões artísticas e culturais e que se faz representar em nomes de grande valor artístico, entre eles Gilberto Gil, Caetano Veloso, Machado de Assis, José do Patrocínio, Lima Barreto, Pixinguinha, Aleijadinho, Mestre Didi, Antonieta de Barros, Auta de Souza, Cruz e Souza, Mestre Valentim e tantos outros”, enfatizou Paula.

 

Resultados

 

Para que a cultura afro-brasileira fosse introduzida na escola São Luiz de Gonzaga, a partir do  desenvolvimento do projeto, foi incluído no currículo escolar a disciplina Cultura Afro-Brasileira, para que fosse possível trabalhar o tema cotidianamente.

 

“Proporcionar aos educandos e à comunidade do bairro São Raimundo, um conhecimento mais profundo e específico no que concerne à cultura afro-brasileira, com a riqueza de suas variantes, e incluir, de fato, esta no currículo da escola, também irá despertá-los para a literatura, a poesia, a música, a dança, as artes como em todas as manifestações culturais em relação às africanidades”, finalizou Pereira.

 

Metodologia aplicada

 

src=https://www.fapeam.am.gov.br/arquivos/imagens/imgeditor/aff2.jpgDurante a realização do projeto foi realizado um levantamento bibliográfico, seguido de uma pesquisa sobre os moradores afrodescendentes do bairro São Raimundo. Na sequência houve a preparação dos bolsistas para atuarem no projeto todo no primeiro mês de atividades. “Do segundo mês em diante organizamos saraus, concursos literários, musicais e artísticos, entre os alunos. Também foram realizadas palestras, mesas-redondas e debates referentes ao tema, além de pesquisas sobre palavras afrodescendentes, culinária e esportes. Agora vamos realizar a avaliação quantitativa e qualitativa da aplicação do projeto e coletar dados estatísticos para, no final, apresentarmos os resultados”, explicou Paula.

 

Sobre o PCE

 

Esse programa consiste em apoiar, com recursos financeiros e bolsas, sob formas de cotas institucionais, estudantes dos ensinos Fundamental e Médio integrados no desenvolvimento de projetos de pesquisas de escolas públicas e conta com apoio das secretarias estadual (Seduc) e municipais (Semed – Manaus e Itacoatiara) de ensino.

 

Redação: Nefa Costa

Edição: Ulysses Varela – Agência FAPEAM

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