Software desenvolvido em Campinas transforma palavras escritas em som

Um novo programa de computador que dá voz de alta qualidade a palavras escritas em português encontra-se em um estágio final de desenvolvimento. A tecnologia está sendo desenvolvida pela Vocalize, empresa residente na Incubadora de Empresas de Base Tecnológica da Universidade Estadual de Campinas (Incamp), e a previsão é que o primeiro protótipo do software esteja pronto até julho deste ano.

“A tecnologia para conversão de texto em fala vem sendo desenvolvida há décadas, mas somente nos últimos anos é que ela passou a ser capaz de produzir fala com alta naturalidade”, disse o engenheiro eletricista responsável pelo projeto, Edmilson da Silva Morais. Segundo ele, já existem conversores comerciais de texto em fala nos Estados Unidos e na Europa, mas apenas em versões da língua de origem desses países.

“Esse tipo de tecnologia, que é altamente dependente de características específicas da língua que se deseja sintetizar, tem evoluído significativamente em todo o mundo e o mercado brasileiro está começando a se interessar pelo assunto”, explica o doutor em engenharia de telecomunicações.

A tecnologia empregada pela Vocalize em seu conversor de texto em fala utiliza um banco de frases escritas e faladas, devidamente segmentadas em pequenas unidades de som que podem ser, por exemplo, um fonema ou uma sílaba. A partir dessas unidades de som, o programa sintetiza a voz humana e automaticamente transforma palavras escritas em faladas, dando ritmo e entonação semelhantes aos da voz humana.

Por meio de modelos matemáticos estatísticos, o programa é treinado para fazer uma análise sintática das sentenças e das vozes que podem ser utilizadas em cada situação. Entre as aplicações práticas da tecnologia estão sistemas para vocalização de e-mail em telefones celulares e a vocalização de notícias curtas de jornais e revistas por meio da internet.

“Além de aplicações que auxiliam na mobilidade empresarial, os deficientes visuais também serão grandes beneficiários da tecnologia”, explica o pesquisador. “O lançamento comercial do software está previsto para meados de 2009”, disse Morais.

Com apoio do Programa Inovação Tecnológica em Pequenas Empresas (Pipe), da FAPESP, o trabalho foi desenvolvido em parceria com lingüistas, engenheiros e cientistas da computação de instituições como a Faculdade de Engenharia Elétrica e Computação (Feec) e o Instituto de Estudos da Linguagem (IEL), ambos da Unicamp, e o Núcleo Interinstitucional de Lingüística Computacional (Nilc), da Universidade de São Paulo (USP), em São Carlos.

Agência FAPESP.

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