Inpa trabalha resgate cultural e educação patrimonial em aldeias
Os índios Mura aparecem na historiografia regional em comunicações referentes a contato em 1714, localizados na região do rio Madeira e alguns de seus tributários, como Maici e Marmelos e por toda a região do Autaz. Os primeiros registros sobre os Mura estão na carta do padre Bartolomeu Rodrigues ao padre Jacinto Carvalho sobre as terras, rios e gentio do Madeira, segundo os quais, resistiram à submissão e se defenderam da ocupação de seus territórios por núcleos coloniais. A prática colonial consistia em identificar os índios que pudessem ser domesticados e submetidos nos trabalhos dos povoados e missões, estes eram aldeados e destribalizados. Aos irredutíveis era reservada a aplicação da guerra justa (oficial ou não). Os Mura se enquadravam na segunda opção. Em 1786 é celebrada a famosa voluntária redução de paz e amizade, estimando-se 60 mil pessoas no período.
Como conseqüências do intenso e violento contato com as frentes de expansão e pioneiras nos séculos 18 e 19, e do desastroso direcionamento dado à questão indígena pelo Estado brasileiro no século 20, resulta uma situação em que os Mura foram obrigados a se submeter aos trabalhos nas fazendas como mão-de-obra semi-escravizada, abandonando seu modo de vida tradicional. A partir daí, o que houve foi um acelerado processo de decadência física e cultural, colaborando para a construção de um quadro de carência alimentar e difusão de bebida alcoólica, causando-lhes prejuízos incalculáveis.
No final da década de 1980, os Mura experimentam uma modificação na perspectiva negativa que configurava o panorama do contato. Por meio de um processo que podemos chamar de

























