Inpe alerta para aumento de até 2ºC na temperatura do planeta
Campinas (SP). Previsões nada otimistas marcaram a conferência do pesquisador Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), na 60º Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). De acordo com ele, mesmo que atualmente as emissões de gases do efeito estufa (GEEs) fossem reduzidas a zero, ainda assim o planeta sentiria as conseqüências do aquecimento global.
Se o nível de GEEs se mantiver nos parâmetros atuais, a temperatura no Brasil poderá subir até 2ºC até o final do século. Ele explica que a elevação de 0,5º C já deve causar a extinção de um número cada vez maior de animais, aumento do nível do mar, redução da neve no hemisfério norte, entre outras conseqüências.
Ao contrário de cessar ou reduzir, as emissões de CO2 têm aumentado, de acordo com dados do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC). De 1990 a 2000, houve um aumento de 1,3% no lançamento de GEEs na atmosfera. De 2000 a 2006, os índices quase triplicaram, subindo para 3,3%.
Nobre é categórico ao afirmar que as mudanças climáticas são inequívocas, reais e irreversíveis. “Já passamos do ponto de irreversibilidade dos efeitos do aquecimento no planeta. Não há nenhuma solução tecnológica para os problemas causados pelo efeito estufa, isso poderia ter acontecido se a percepção dos problemas tivesse sido no pós-guerra”. Ele afirma que o custo para retirar o gás carbônico da terra é estimado em 10 vezes o PIB mundial, o que se torna tal medida impraticável.
Ele recorreu a uma definição de Paul Crutzen, prêmio Nobel de Química em 1995, para explicar as mudanças provocadas no planeta pela ação antrópica. De acordo com Crutzen, o planeta vive no período antropoceno, era geológica em que o homem dominou e provocou transformações ambientais de grande magnitude. “Essa era é marcada, dentre outras coisas, pelo aumento em 10 mil vezes na taxa de desaparecimento de espécies, em relação à evolução natural”, afirma o pesquisador.
No que diz respeito à Amazônia, o cientista voltou a falar das previsões nada animadoras enunciadas pelo IPCC ultimamente. Até o final do século, a resposta da floresta aos efeitos do aquecimento global é a savanização. Ele explicou que até lá, a temperatura na região poderá subir até 4ºC, transformando a vegetação amazônica em grandes extensões de savana.
Andréia Mayumi – Agência Fapeam



























