Estudo aponta que doença periodontal pode ser capaz de promover alterações no sistema de defesa do organismo


Um estudo científico demonstrou que indivíduos com periodontite associada ou não ao diabetes podem apresentar sistema imunológico fragilizado e ficarem mais suscetíveis a infecções. Pacientes diagnosticados com as duas doenças mostraram níveis mais altos de triglicerídeos e proteína C-reativa (PCR) no sangue em comparação com aqueles somente com diabetes.

A conclusão é de um estudo apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) que avaliou se a doença periodontal poderia ser capaz de promover alterações na resposta imunológica de indivíduos com periodontite, ou seja, no sistema de defesa do organismo dessas pessoas.

Paciente com Periodontite

Periodontite associada ou não ao diabetes podem apresentar sistema imunológico fragilizado

Para a pesquisadora principal do estudo,Priscilla Farias Naiff, os resultados sugerem que a periodontite pode prejudicar a resposta imune inata e representar um risco maior para complicações sistêmicas, como a doença cardiovascular, em pacientes com diabetes ou mesmo em indivíduos saudáveis.

“A proteína C-reativa é um biomarcador inflamatório, ferramenta clínica utilizada para a detecção de risco cardiovascular. Os níveis altos de triglicerídeos e PCR no sangue aumentam o risco de doenças cardíacas e acidente vascular cerebral (AVC)”, disse Priscilla Naiff. 

O projeto “Efeito da terapia periodontal não cirúrgica no perfil microbiológico, imunocelular, de imunoglobulinas e na dosagem de citocinas pró e anti-inflamatórias provenientes de sangue periférico e saliva de indivíduos com diabetes tipo 2” foi amparado pelo Programa de Apoio à Formação de Recursos Humanos Pós-Graduados do Estado do Amazonas (RH-Doutorado – Fluxo Contínuo), edital Nº 002/2015, da Fapeam.

A investigação foi realizada durante o doutorado de Priscilla Naiff e conduzido no Hospital Universitário de Brasília (HuB) e na Universidade de Brasília (UnB), com apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e laboratório Sabin.

Doenças

O diabetes é doença metabólica na qual o organismo não produz ou não consegue empregar adequadamente a insulina que fabrica e, a periodontite é uma doença infecciosa que acomete os tecidos de proteção e suporte dos dentes, como a gengiva e o osso alveolar e, que pode levar à mutilação dentária se não for diagnosticada e tratada pelo cirurgião-dentista. 

A periodontite e o diabetes estabelecem uma via de mão dupla e uma doença é capaz de interferir na outra, ou seja, o diabetes, caso o paciente esteja descompensado, é capaz de piorar os sinais e sintomas da periodontite e vice-versa.

A triagem periodontal deve fazer parte do exame clínico geral de pacientes com diabetes e, se diagnosticada, a doença periodontal deve ser tratada de forma adequada para evitar ou agravar o diabetes e suas complicações, além de melhorar o controle glicêmico nestes indivíduos.

As pesquisas

A pesquisadora teve participação em dois estudos. O primeiro relacionado ao seu projeto de pesquisa, em que, para observar possíveis alterações na resposta imune de pessoas diagnosticadas conjuntamente com doença periodontal grave e diabetes tipo 2, foram colhidas amostras biológicas (sangue e saliva) de 58 participantes, com idades entre 30 e 70 anos, divididos em quatro grupos: Controle, composto por indivíduos saudáveis (n=16), Periodontite (n=14), Diabetes tipo 2 (n=11) e Periodontite associada ao diabetes do tipo 2 (n=17). As amostras foram obtidas de indivíduos submetidos a atendimento odontológico no HuB da UnB.

Priscilla Naiff

Estudo foi realizado pela pesquisadora Priscilla Farias Naiff

O segundo estudo foi parte de um projeto já em andamento pelo grupo de pesquisa das orientadoras de doutorado de Priscilla. Um ensaio clínico que avaliava o efeito do tratamento periodontal na resposta imune sistêmica em indivíduos com periodontite. Observou-se que, apesar da diminuição da capacidade imunológica de determinadas células de defesa do organismo, em pacientes com periodontite, após o tratamento periodontal, essa atividade foi reestabelecida, o que indica que o recurso terapêutico pode ser capaz de auxiliar nesse reequilíbrio e, reestabelecer a alteração da resposta imune comprometida, anteriormente, pela doença periodontal.  

Os estudos geraram dois artigos científicos publicados no periódico International Journal of Dentistry, nos anos de 2018 e 2020, cujos títulos são “Importance of Mechanical Periodontal Therapy in Patients with Diabetes Type 2 and Periodontitis” e “Mechanical Periodontal Therapy Recovered the Phagocytic Function of Monocytes in Periodontitis”, respectivamente.

Importância

Quando o indivíduo é portador de periodontite, os dentes vão perdendo o osso e demais tecidos de suporte que os circundam e, frequentemente, há presença de intensa inflamação gengival associada. Com o decorrer do tempo, os dentes vão amolecendo até que necessitem ser extraídos. A causa primária é a infecção bacteriana associada a outros fatores como má higiene bucal e a imunidade do indivíduo.

Atualmente, sabe-se que as doenças periodontais estão sendo bastante associadas a diversas doenças ou condições sistêmicas como aterosclerose, doenças cardiovasculares e diabetes.

A periodontite e o diabetes estabelecem uma via de mão dupla e uma doença é capaz de interferir na outra, ou seja, o diabetes, caso o paciente esteja descompensado, é capaz de piorar os sinais e sintomas da periodontite e vice-versa.

A triagem periodontal deve fazer parte do exame clínico geral de pacientes com diabetes e, se diagnosticada, a doença periodontal deve ser tratada de forma adequada para evitar ou agravar o diabetes e suas complicações, além de melhorar o controle glicêmico nestes indivíduos.

RH-Doutorado

O Programa RH-Doutorado Mestrado foi substituído pelo Programa de Bolsas de Pós-Graduação em Instituições fora do Estado do Amazonas (PROPG-Capes/Fapeam), que concede bolsas de mestrado e doutorado a profissionais interessados em realizar curso de pós-graduação stricto sensu, em cursos recomendados pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) em outros Estados da Federação.

Por: Helen de Melo

Foto Principal: Pixabay

Foto: Acervo da Pesquisadora Priscila Naiff

 

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