Estudo avalia o efeito da suplementação de creatina e atividade física como tratamento de pacientes com claudicação intermitente


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Praticar caminhada é uma boa opção para quem busca sair do sedentarismo e ter mais qualidade de vida, mas quem sente dores específicas como ardência ou câimbras nas pernas, durante uma caminhada, deve ficar em alerta, pois pode ser sintoma de claudicação intermitente. Embora o nome não seja muito familiar, a doença é caracterizada  quando o indivíduo não consegue realizar esforços continuamente, por exemplo, a caminhada.

A dor nas pernas que inicia após certo espaço percorrido a pé é decorrente da diminuição de fluxo de sangue e oxigênio na região. Diante disso, uma pesquisa apoiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) buscou avaliar o efeito de oito semanas de suplementação de creatina associada à caminhada em pessoas que sofrem de claudicação intermitente.

O estudo foi desenvolvido pelo pesquisador e professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Wagner Jorge Ribeiro Domingues, no Hospital Albert Einstein em São Paulo, como parte de estudo de doutorado em parceria com a Universidade Estadual de Londrina (UEL) e Universidade Estadual de Maringá (UEM).

Wagner Domingues explica que o organismo produz naturalmente cerca de 2 gramas de creatina diariamente. O nutriente também é obtido por meio de dieta com carnes e peixes, por exemplo.

Segundo o pesquisador, a partir da década de 90, foi descoberto que a suplementação de creatina na forma de dieta poderia também ser obtida por meio de suplemento nutricional. Hoje há muitos estudos demonstrando os benefícios da suplementação de creatina, principalmente nos parâmetros de força, melhorias na composição corporal e nos parâmetros metabólicos de pessoas jovens saudáveis, idosos e populações clínicas.

Aplicabilidade       

No total, participaram do estudo 32 pacientes, sendo 13 mulheres, com média de idade de 62 anos, residentes na capital e nas cidades metropolitanas do estado de São Paulo. Todos os pacientes que receberam a suplementação de creatina não sentiram efeitos colaterais.  Segundo o pesquisador, isso demonstra segurança quanto a sua utilização. Os pacientes receberam um relatório completo sobre a sua saúde física, além de um acompanhamento contínuo de uma equipe multiprofissional.

Wagner destaca que pode ser considerado que a creatina seja segura para a função renal, principalmente nesses pacientes que já possuem uma função renal comprometida. “No início do projeto, a principal preocupação era com a função renal desses pacientes. Na década de 90, estudos com dados equivocados mostraram que a suplementação de creatina alterava a função renal. No entanto, não é bem isso”, disse. O pesquisador destaca também, que não há relatos na literatura se a creatina atua no sistema hormonal em mulheres. No entanto, sabe-se que ela atua no sistema inflamatório. “Isso é um dado interessante, principalmente devido a população do Amazonas apresentar uma elevada prevalência de obesidade, no qual dispõe de aumentos dos marcadores inflamatórios circulantes”.

O pesquisador disse  ainda que oito semanas de suplementação de creatina associada a caminhada não foi capaz de aumentar a distância de caminhada em pacientes com claudicação intermitente. No entanto, foi sugerido que a suplementação de creatina seja associada a exercícios de musculação, por ser  anaeróbio (fator  é preponderante para atuação da creatina quando combinada ao exercício). 

“Algumas das principais explicações podem estar atreladas ao tempo de suplementação, no qual realizamos apenas 8 semanas. Outro fator pode estar atrelado a suplementação de creatina atuar principalmente nas fibras musculares do tipo 2. Vale ressaltar que o músculo da panturrilha é predominantemente composto de fibras do tipo 1. A adesão da suplementação de creatina foi controlada por sangue. Porém o ideal seria uma biópsia muscular, principalmente para verificar o conteúdo de glicogênio muscular”, explica o pesquisador. 

RH-Doutorado

O  estudo teve fomento por meio do Programa RH-Doutorado da Fapeam, que foi substituído pelo Programa de Bolsas de Pós-Graduação em Instituições fora do Estado do Amazonas (PROPG), que concede bolsas de mestrado e doutorado a profissionais interessados em realizar curso de pós-graduação stricto sensu, em cursos recomendados pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) em outros Estados da Federação.

Por: Jessie Silva

Fotos: Pixabay

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