Estudo sobre diversidade microbiana do trato genital feminino é desenvolvida em Manaus


O Papilomavírus Humano (HPV) é um vírus transmitido por meio de contato sexual, apontado como um dos principais agentes causadores do câncer de colo de útero. Segundo a Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon), Manaus apresentou percentual de 50,3% de jovens infectados pelo HPV (sendo 33,9% de infecções por HPV de alto risco oncogênico).

Diante desse contexto, pesquisa científica apoiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) desenvolveu estudo com a finalidade de investigar a composição microbiana em pacientes com microbiota autóctone (normal) e microbiota de pacientes com lesões pré-malignas e malignas.

O projeto coordenado pela doutora em Biotecnologia, Cristina Maria Borborema dos Santos, foi desenvolvido no Centro de Apoio Multidisciplinar (CAM) da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), por meio do Programa de Apoio à Pesquisa (Universal Amazonas) edital N° 021/2011, da Fapeam.

A pesquisa surgiu com objetivo de responder o porquê 90% das mulheres infectadas por HPV têm suas infecções resolvidas, ou seja, evoluem para a cura, enquanto 10% têm a infecção persistente com progressão para malignidade.

“Ao realizar esse trabalho surgiram inúmeras perguntas, como por exemplo, se haveria algum fator característico, próprio de cada mulher que estivesse interferindo para persistência do vírus. Se estaria esse fator relacionado ao microambiente vaginal. Queríamos saber o que havia de diferente entre os grupos de mulheres em diferentes condições clínicas. E partimos em busca de uma metodologia por meio de uma busca bibliográfica e no diálogo com pesquisadores com a finalidade de que conseguíssemos obter as respostas às nossas indagações,” disse.

Dra. Cristina Barbosa - UFAM - Fotos Érico X-12

Estudo foi coordenado pela doutora em Biotecnologia, Cristina Maria Borborema dos Santos, na Ufam.

Resultados

Um total de 187 mulheres residentes em Manaus participou do estudo. A maioria atendida em Unidade Básica de Saúde (UBS) Leonor Mendonça de Freitas, da zona Oeste de Manaus. Também participaram da pesquisa mulheres atendidas na FCecon, centro de referência na rede pública para mulheres que apresentam lesões pré-malignas e malignas do colo do útero.

O diagnóstico molecular do HPV foi realizado em todas as mulheres participantes do estudo, revelando uma alta prevalência do HPV16, tipo oncogênico de alto risco para o desenvolvimento do câncer de colo do útero, como pode ser conferido no artigo científico Prevalence of human papillomavirus, Chlamydia trachomatis, and Trichomonas vaginalis infections in Amazonian women with normal and abnormal cytology, publicado pelo grupo de pesquisa, como parte dos resultados gerados pela pesquisa.

Integrante do grupo de pesquisa, a doutoranda em Biotecnologia, Évelyn Costa, explicou que o gênero Ureaplasma (gênero que abrange bactérias pleomórficas, desprovida de parede celular e envolvida em infeções urogenitais) foi detectado em maior abundância no grupo de mulheres que apresentavam lesões pré-malignas do colo do útero.

Dra. Evellyn Costa - UFAM - Fotos Érico X

Doutoranda em Biotecnologia, Évelyn Costa, integrante do grupo de pesquisa.

Após a coleta, o DNA genômico total foi isolado e, em seguida, foram amplificadas as regiões V1-V2 do gene 16S rRNA. Os produtos foram então sequenciados e analisados por bioinformática, em parceria com a Dra. Tainá Raiol da Fiocruz de Brasília, para este fim.

Evelyn ressalta a necessidade de continuação da pesquisa, pioneira no âmbito nacional, que se encontra ainda no início, podendo trazer grande colaboração científica.

Grupo de Pesquisa

A pesquisa também contou com a colaboração de vários pesquisadores  dentre eles Prof. Dr. Spartaco Astolfi Filho da Ufam, a Dra. Enedina Assunção, Msc. Roberto Alexandre Barbosa Filho e dos alunos de graduação Lucas Munareto, Priscila Rocha e Arine Heloíse.

 Câncer de colo de útero

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), no biênio 2018/2019, estima-se para o Brasil 16.370 casos novos de câncer de colo uterino, uma taxa bruta de 15,43 a cada 100 mil mulheres. Para o Amazonas, estima-se cerca de 840 casos novos de câncer de colo uterino, uma taxa bruta de 40,97 a cada 100 mil mulheres. Desses casos novos do estado, cerca de 640 serão mulheres residentes em Manaus.

Atualmente, o câncer de colo de útero é o quarto tipo de câncer mais comum entre as mulheres do mundo inteiro com 70% dos novos casos ocorrendo nos países em desenvolvimento.

Dra. Evellyn e Dra. Cristina  - UFAM - Fotos Érico X-5

Por Jessie Silva

Fotos-Érico Xavier

 

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